Após uma fase experimental, e o internamento no domicílio de 270 doentes, a primeira UHD nacional revela-se como um modelo assistencial alternativo ao internamento hospitalar convencional.
A UHD, centrada no doente e nas famílias/cuidadores, trata-se de um modelo de assistência hospitalar que se carateriza pela prestação de cuidados no domicílio a doentes agudos, cujas condições biológicas, psicológicas e sociais o permitam. Assenta em cinco princípios fundamentais: voluntariedade na aceitação do modelo, igualdade de direitos e deveres do doente, equivalência de qualidade na prestação dos cuidados, rigor na admissão de doentes e no seu seguimento clínico, humanização de serviços e valorização do papel da família.
Com início de atividade no final de 2015, a UHD do HGO conta já com 270 doentes admitidos, com uma duração média da estadia em UHD de 8.5 dias de internamento.
A UHD tem por missão contribuir para o melhor nível possível de saúde e bem-estar dos indivíduos da área de abrangência do HGO, que necessitem transitoriamente, ou seja, durante fase aguda ou agudizada da doença, de cuidados de nível hospitalar, oferecendo-lhes um serviço de qualidade com o rigor clínico e a visão holística e humanizada da Medicina Interna, sempre que a permanência no hospital seja prescindível.
O projeto promove ainda a redução das complicações inerentes ao internamento convencional, como as quedas ou infeções, criando ainda um entorno psicológico mais favorável ao doente durante o período de tratamento, e valorizando o papel da família/cuidador, prevenindo a rejeição, o abandono e a institucionalização.
A UHD do HGO está integrada no serviço de Medicina Interna, e conta com uma equipa de 19 elementos que garantem a cobertura médica e de enfermagem, durante 24 horas, todos os dias do ano, inclusive nos feriados e fins-de-semana, em regime de presença física e prevenção. A equipa multidisciplinar é composta por cinco médicos, nove enfermeiros, assistente social, farmacêutica, dietista, assistente técnica e administradora hospitalar.
A opção pelo internamento domiciliário pode ser colocada na admissão do doente no serviço de urgência, na consulta externa e no Hospital de Dia, e exige um diagnóstico claro, a estabilidade clínica e a possibilidade de controlar as co-morbilidades no domicílio. Após referenciação, o doente é submetido a uma avaliação em três eixos: médico, enfermeiro e assistente social, numa multidisciplinariedade complementar. Para além de apresentar co-morbilidades controláveis no domicílio, o doente necessita ainda de ter um cuidador, ter condições de habitabilidade e pertencer à área de influência do ACES Almada Seixal, a um máximo de 30 km de distância do HGO.
Os dados disponíveis permitem já afirmar a existência de uma redução na taxa de complicações, nomeadamente infeções. Até ao momento, os Grupos de Diagnósticos Homogéneos (GDH’s) mais frequentes nos doentes admitidos em hospitalização domiciliária são infeções, nomeadamente dos rins/vias urinárias e da pele, insuficiência cardíaca e patologias respiratórias.
A satisfação dos doentes e das famílias é elevada. Na avaliação subsequente realizada em consulta externa, a grande maioria dos utentes apresenta-se estável sem necessidade de reinternamento hospitalar.


