Apresentação de estudo sobre esforço médico levanta debate sobre evolução do SNS

06/12/16
Apresentação de estudo sobre esforço médico levanta debate sobre evolução do SNS

Decorreu no passado sábado, 3 de dezembro, a apresentação do estudo “História do Serviço Nacional de Saúde em Portugal: A saúde e a força de trabalho, do Estado Novo aos nossos dias”, coordenado por Raquel Varela e Renato Guedes, com a colaboração de Ursula Huws, Stewart Play, Colin Leys e Peter Kennedy. O estudo, encomendado pelo Conselho Regional Sul da Ordem dos Médicos, centra-se na evolução histórica da relação entre a força de trabalho e a saúde, nas alterações no mercado de trabalho desde 1974 aos dias de hoje e num cálculo do esforço médico no Serviço Nacional de Saúde.

Para o Dr. Jaime Teixeira Mendes, presidente do Conselho, “o constante subfinanciamento do SNS conduziu-nos a uma situação de quase insustentabilidade do sistema. Os critérios de eficiência introduzidos aumentaram a pressão sobre o trabalho dos médicos a um ponto incomportável”. A título de exemplo, o especialista aponta o exemplo dos clínicos de Medicina Geral e Familiar, que viram aumentar o número de utentes à sua responsabilidade de 1500 para 1900, sem acréscimo de horário.

Para Raquel Varela, a conclusão mais clara do estudo é que os ganhos fundamentais na saúde têm sido conseguidos à custa do esforço médico, com uma sobrecarga das horas trabalhadas, tendo em conta o número de médicos em exercício e o valor real pago.

A apresentação do trabalho contou com uma conferência por Michael Roberts, economista britânico, sobre o impacto da inteligência artificial na Medicina. O especialista recordou o crescimento recente da produção de robots nos últimos anos, com tarefas cada vez mais complexas, progressivamente substituindo os seres humanos em várias funções. Na Medicina, onde a automatização ainda não alcançou os níveis de outras áreas, o objetivo passa por evitar o erro humano e aumentar a eficiência.

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