Para o Dr. Jaime Teixeira Mendes, presidente do Conselho, “o constante subfinanciamento do SNS conduziu-nos a uma situação de quase insustentabilidade do sistema. Os critérios de eficiência introduzidos aumentaram a pressão sobre o trabalho dos médicos a um ponto incomportável”. A título de exemplo, o especialista aponta o exemplo dos clínicos de Medicina Geral e Familiar, que viram aumentar o número de utentes à sua responsabilidade de 1500 para 1900, sem acréscimo de horário.
Para Raquel Varela, a conclusão mais clara do estudo é que os ganhos fundamentais na saúde têm sido conseguidos à custa do esforço médico, com uma sobrecarga das horas trabalhadas, tendo em conta o número de médicos em exercício e o valor real pago.
A apresentação do trabalho contou com uma conferência por Michael Roberts, economista britânico, sobre o impacto da inteligência artificial na Medicina. O especialista recordou o crescimento recente da produção de robots nos últimos anos, com tarefas cada vez mais complexas, progressivamente substituindo os seres humanos em várias funções. Na Medicina, onde a automatização ainda não alcançou os níveis de outras áreas, o objetivo passa por evitar o erro humano e aumentar a eficiência.


