De acordo com a Dr.ª Ana Castro, o acordo, que promove o acesso e a equidade entre doentes oncológicos vai ter um ano-piloto destinado a avaliar 500 pacientes, programa para o qual estão reservados 75 mil euros. “Todos os anos temos 1500 novos casos de cancro da cabeça e do pescoço, que surgem fundamentalmente devido a fracas condições de higiene oral, tabagismo e alcoolismo. Com este protocolo, teremos a possibilidade de tratar o doente oncológico de forma mais humana, porque esta doença deixa lesões marcantes”, adianta a presidente do GECCP.
O Prof. Doutor Fernando Araújo corrobora as palavras da médica oncologista e vinca que o despacho publicado ontem visa dar “uma resposta específica a estas situações, através das unidades hospitalares do Serviço Nacional de Saúde (SNS), onde profissionais experientes e integrados em equipas multidisciplinares podem tratar esta patologia”. Assim, durante 2017, os 500 pacientes sob avaliação beneficiarão de próteses de reabilitação oral no SNS, quando até agora teriam de recorrer a privados, com os custos inerentes. No final da monitorização, será avaliado o montante do financiamento desta atividade no SNS.
O combate ao tabagismo (primeira causa de morbilidade e de mortalidade, com mais de 10 mil vítimas por ano) é uma das prioridades do governo e, nesse sentido, foi apresentada uma proposta de lei à Assembleia da República, para monitorizar e regular o comércio dos novos produtos do tabaco sem combustão, interditando o seu consumo nos mesmos locais onde seja proibido fumar. O encargo financeiro do Estado associado aos medicamentos oncológicos foi, até outubro último, de 213 milhões de euros, mais 9% do que no mesmo período de 2015.


