Estas são algumas das conclusões do estudo desenvolvido em 2016 pela NOVA Information Management School (NOVA IMS) da Universidade Nova de Lisboa, no âmbito do projeto europeu Saúde Sustentável. O estudo deu a conhecer os dados do indicador de Saúde sustentável apresentado no ano passado. Paralelamente foram analisadas as tendências evolutivas dos indicadores de atividade, despesa e qualidade (percecionada e técnica), incluídos novos vetores no capítulo da qualidade de vida e um novo indicador que mede o contributo do SNS para a melhoria do estado de Saúde da população.
Segundo o Prof. Doutor Pedro Simões Coelho, diretor da Nova IMS e principal coordenador do Projeto Indicador de Saúde Sustentável, “há uma evolução do SNS no sentido da sustentabilidade, dado que a qualidade e a atividade estão a crescer a uma taxa superior à despesa. Por isso, o índice de sustentabilidade apresenta uma evolução positiva”.
O especialista acrescenta ainda que “o índice de Saúde sustentável relaciona a atividade, a qualidade e a despesa e permite monitorizar a relação entre estas três dimensões. Através do estudo e da análise das dimensões, pudemos confirmar que o SNS conseguiu melhorar a sua qualidade e aumentar a sua atividade, ao mesmo tempo que controlava os custos”, explica o investigador. “O Índice foi criado com o intuito de ser uma ferramenta capaz de fazer uma monitorização dos diferentes tipos de investimento em Saúde e de identificar os seus resultados, quer do ponto de vista económico, quer do estado de Saúde dos cidadãos. Para mais permite-nos confirmar se estamos no bom caminho para alcançar a sustentabilidade do sistema e caso contrário funcionar como indicador de alerta”, conclui o Prof. Doutor Pedro Simões Coelho.
A inclusão dos doentes crónicos no mercado de trabalho
Outra das conclusões do estudo demonstra que 54% dos portugueses considera que o seu estado de Saúde afeta negativamente a sua qualidade de vida, tema que esteve em discussão no segundo painel, “A inclusão dos doentes crónicos no mercado de trabalho”. Aqui falou-se na necessidade de maior conhecimento das doenças crónicas, de um diagnóstico e tratamento mais precoces e da adaptação dos locais de trabalho e das funções às necessidades destes doentes. Apesar deste resultado, através da análise das respostas das pessoas inquiridas, os investigadores chegaram à conclusão que o índice de estado de Saúde por contributo do SNS é de 73,1 pontos – numa escala de 0 a 100 em que 100 corresponde ao estado de Saúde ideal –, e estimam que, caso não existisse SNS, este índice estaria nos 58,1 pontos, ou seja, 15 pontos abaixo.
Também se verifica que comparativamente a 2015 houve um aumento de 3,1% no número de pessoas que faltaram ao trabalho por motivos de Saúde pessoal ou familiar. No entanto, e por via dos cuidados de Saúde que disponibiliza, o SNS contribuiu para diminuir em mais de um dia e meio o número de faltas ao trabalho, o que representa uma poupança de 534 milhões de euros (em salários). O número médio de ausência laboral apurado são cinco dias (2,2% do tempo trabalhado), o que representa um prejuízo de 1,7 mil milhões de euros (em salários). Estes resultados revelam, porém, uma melhoria face a 2015, período onde se registaram mais de cinco dias de falta ao trabalho com um prejuízo de dois mil milhões de euros em salários. Caso não tivessem sido prestados cuidados de Saúde por via do SNS, o número médio de absentismo laboral ascenderia aos 6,6 dias, o que representaria um prejuízo de 2,2 mil milhões de euros em salários.
Uma conclusão surpreendente do estudo indica que, ao contrário do que aconteceu em 2015, os cidadãos estão mais satisfeitos com o preço, especialmente no capítulo das taxas moderadoras, cujos valores consideram adequados (aumento de 4,9 pontos face a 2015 e de 12 pontos face a 2014). Apesar desta conclusão, registaram-se menos 765.363 episódios de urgência por falta de recursos financeiros.
Estiveram presentes na 6.ª Conferência AbbVie|TSF|DN o ministro da Saúde, Prof. Doutor Adalberto Campos Fernandes, o ministro da Economia, Prof. Doutor Manuel Caldeira Cabral, o secretário de Estado do Emprego, Dr. Miguel Cabrita, a ex-ministra da Saúde, Dr.ª Maria de Belém, a Dr.ª Isabel Galriça Neto, deputada do CDS-PP, o presidente da Confederação Empresarial de Portugal (CIP), Dr. António Saraiva, o diretor da Universidade Nova IMS, Prof. Doutor Pedro Simões Coelho, o reumatologista Dr. Augusto Faustino, e a Dr.ª Sofia Crisóstomo, da plataforma Mais Participação, Melhor Saúde.


