O Dr. Nuno Gomes venceu o prémio com um estudo sobre a forma como o sistema visual processa estímulos com relevâncias evolutivas diferentes para o ser humano. No seu estudo verificou que estímulos visuais evolutivamente mais relevantes (i.e., cobras) são processados de forma privilegiada pelos mecanismos cerebrais de deteção de ameaça, o que permite ao ser humano tomar mais rapidamente consciência da sua presença do que da presença de estímulos menos importantes para a sobrevivência, mas sentidos como ameaçadores por muitos (no presente caso, aranhas), ou estímulos não ameaçadores (i.e., pássaros).
Os resultados do estudo do Dr. Nuno Gomes, doutorando no ISPA, são relevantes para a compreensão da evolução dos mecanismos visuais de deteção de ameaça, salientam a importância das cobras para a investigação da visão e dos mecanismos de deteção de ameaça nos seres humanos e permitem avançar no conhecimento dos mecanismos que estarão por detrás de situações de fobia nos seres humanos.
Doutorado em Zoologia, o Prof. Doutor Tiago Monteiro recebeu o prémio com base num estudo que teve como objetivo compreender os mecanismos cerebrais que permitem fazer estimativas de tempo. Assim, o investigador treinou um conjunto de ratos a distinguirem intervalos temporais superiores ou inferiores a 1,5 segundos, monitorizando a atividade de múltiplos neurónios numa zona do cérebro – o corpo estriado. Os resultados mostraram que a estimativa de intervalos de tempo superiores ou inferiores a 1,5 segundos estava associada a padrões de ativação cerebral diferentes indicando que as estimativas de tempo estão associadas à atividade deste conjunto de células cerebrais. Para verificar a força deste seu resultado, o investigador realizou outro estudo no qual inibiram a atividade do corpo estriado do cérebro e verificando uma maior dificuldade dos ratos em estimar a duração dos intervalos de tempo apresentados.
“Este estudo mostra pela primeira vez a relação entre a velocidade de um “relógio neural” e julgamentos de duração temporal. A questão que agora se coloca é como é que esta informação temporal é gerada e de que forma é que é usada para guiar o comportamento dos animais”, refere o investigador.
O Prémio ISPA tem uma periodicidade anual e visa distinguir jovens cientistas (com menos de 35 anos) cujos trabalhos de investigação tenham sidos realizados numa instituição nacional e publicados em revistas internacionais nos últimos três anos.
Além dos percursos profissionais dos candidatos, são valorizados a originalidade, fundamentação científica e qualidade do trabalho apresentado, bem como o impacto da contribuição científica para a área disciplinar em que se insere. Este ano o Prémio ISPA recolheu 35 candidaturas.
Para mais informações consulte o site do ISPA.


