As conclusões da investigação foram apresentadas no 7th International IVI Congress, que decorreu em Bilbao, Espanha, entre os dias 11 e 13 de maio.
Falhas de implantação, abortos recorrentes e pré-eclâmpsia são algumas das complicações, às vezes sem resposta, nos tratamentos com ovócitos doados, cuja origem, em muitos casos, é imunológica. A investigação do IVI consistiu num estudo, com uma amostra de 204 doentes, no qual se identificou e classificou todos os fatores imunológicos que podem interferir no tratamento com ovócitos doados (mãe, companheiro, dador, filhos nascidos previamente, tecido de aborto se este tiver ocorrido, etc.).
A nível uterino, todas as mulheres dispõem de determinadas células que apresentam uns recetores denominados de KIR. Entre eles, existem três grandes grupos genéticos (KIR AA, KIR AB y KIR BB). Estes recetores têm como função reconhecer a parte estranha do embrião. Na reprodução assistida com óvulos próprios e na reprodução espontânea, estes recetores somente identificam uma parte estranha, isto é, a paterna. Por outro lado, nos tratamentos com ovócitos doados reconhecem-se duas partes alheias, a paterna e a da dadora, podendo aumentar o número de partes não reconhecidas, se considerarmos a transferência de mais de um embrião.
Todos os seres humanos dispõem de uns antígenos das células denominadas HLA-C, que se dividem em dois grandes grupos, HLA-C1 e HLA-C2. Uma denominação genética parecida que se pode dar, por exemplo, entre os diferentes grupos sanguíneos, mas que se descobriu recentemente. O estudo realizado pela Dr.ª Diana Alecsandru revela, entre outros, que a união de recetores KIR AA com antígenos HLA-C2 é uma combinação de risco para a raça humana em todo o mundo.
Num tratamento com óvulos doados, quando uma mulher com recetores KIR AA (entre 30 a 40% das mulheres europeias apresentam este tipo concreto de recetores) recebe a transferência de um embrião com antígenos, as probabilidades de aborto, falha na implantação e outras complicações disparam.
A importância do estudo da IVI e as conclusões residem principalmente em dois pontos. Em primeiro lugar, a importância de realizar uma classificação dos KIR e HLA-C, tanto da mãe, como do pai e da dadora. Mediante uma simples análise de sangue, realizar-se-á a denominação genética de cada um dos protagonistas, para poder escolher sempre a dadora mais adequada e alinhar todos os protagonistas.
Em segundo lugar, a importância de apostar nos tratamentos com óvulos doados pela transferência de um só embrião, para que o útero da mulher reconheça o menor número de elementos estranhos e exista maior probabilidade de aumentar as taxas de gravidez e ter um bebé saudável. Apesar dos resultados do estudo terem origem em Madrid, gradualmente o IVI está a implementar estas conclusões em todas as suas clínicas (de momento apenas em doentes com patologias de gestação, como abortos recorrentes, falhas de implantação recorrentes, pré-eclampsia, etc.) para continuar a oferecer aos seus doentes as melhores técnicas e as maiores probabilidades de ter uma gravidez segura e um bebé saudável.
Segundo a Dr.ª. Alecsandru, “com estes estudos estamos a verificar a importância de avaliar as características imunológicas das dadoras. É muito importante selecionar adequadamente a dadora, não só pela compatibilidade da cor de olhos, do grupo sanguíneo, entre outros, mas também pelas características imunológicas. O objetivo final é que a dadora seja compatível com a recetora, para que a gravidez chegue a termo da melhor forma possível. Além disso, é recomendável transferir um só embrião, para que o útero materno não seja obrigado a reconhecer demasiados corpos externos”, conclui.


