Apesar de ser um grave problema nos idosos, Portugal não tem qualquer política para lidar com a polimedicação, ou seja, o uso de múltiplos medicamentos, desadequada. O neurocientista João Malva, coordenador da equipa portuguesa envolvida no projeto, revela que este problema já assume dimensões “preocupantes” e que a tendência é agravar-se nos próximos anos, tendo em conta que, em 2060, “Portugal será o país da União Europeia com o maior decréscimo de natalidade e maior aumento no número de idosos com doenças crónicas”.
O investigador da Universidade de Coimbra acrescenta que “cerca de 40% das pessoas que toma 5 ou mais medicamentos, não o faz de forma apropriada, e praticamente metade das hospitalizações que acontecem devido a medicação excessiva seriam evitáveis se existisse um plano de revisão da polifarmácia”. Quanto a exemplos de boas práticas nesta matéria, o Doutor João Malva destaca o Reino Unido, “em especial a Escócia e Irlanda do Norte” e a Suécia.
Prof. Doutor João Malva, coordenador da equipa portuguesa envolvida no projeto SIMPATHY
Deste estudo resultou também um Manual de Diagnóstico da Situação de Polimedicação no Idoso na Europa, dirigido aos profissionais de saúde e decisores políticos, onde são indicadas seis grandes recomendações para implementação de Programas de Revisão da Polifarmácia em todos os Estados-Membros da União Europeia.
O SIMPATHY, cujo objetivo foi estudar o impacto da polimedicação e da adesão à terapêutica na saúde da população mais idosa, foi desenvolvido ao longo dos últimos dois anos por uma equipa multidisciplinar, constituída por especialistas de 10 instituições. O estudo envolveu vários países europeus, nomeadamente Portugal, Espanha, Alemanha, Grécia, Itália, Reino Unido, Polónia e Suécia.
Pode consultar o estudo aqui.


