Entre um conjunto de cinco anestésicos analisados, o cloreto de etilo em spray, muito pouco utilizado em Portugal neste cenário clínico, revelou ser “o único que não requer tempo de espera entre a aplicação e a punção”, que “não exige penso oclusivo” e que tem a vantagem de ser “consideravelmente mais barato”, informa o comunicado de imprensa enviado pela Escola Superior de Enfermagem de Coimbra.
O estudo “Intervenção farmacológica na prevenção da dor da punção venosa na criança” mostrou que nenhum dos outros anestésicos tópicos apresentou superioridade na prevenção da dor, comparativamente com o cloreto de etilo em spray. No entanto, a lidocaína a 10% em spray, o cloridrato de lidocaína a 2% em gel, o EMLA em creme e a lidocaína a 4% em creme também se revelaram “eficazes”, “com uma intensidade de dor em mediana abaixo de dois pontos, o que é considerado um bom indicador de qualidade de cuidados na prevenção da dor”, conclui o estudo.
Os dois especialistas responsáveis pelo estudo concluíram que “o uso do cloreto de etilo num departamento de ambulatório pediátrico revela vantagens na relação custo-benefício”, seja “de forma direta (custos financeiros)”, seja “indiretamente, no menor tempo de ausência dos pais no local de trabalho e das crianças na escola”, e também ao nível dos “custos com os materiais necessários para a aplicação do penso oclusivo e com o trabalho do enfermeiro”. Destaque ainda para os “potenciais benefícios na redução da ansiedade da criança, pela ausência de tempo de espera entre a aplicação do anestésico tópico e a punção”.
As principais diferenças situam-se ao nível dos procedimentos requeridos aquando da respetiva aplicação e no tocante aos custos. A utilização do cloreto de etilo em spray representa apenas 40% dos gastos do método mais dispendioso que é também o mais utilizado - o EMLA.
O estudo “Intervenção farmacológica na prevenção da dor da punção venosa na criança” foi desenvolvido ao longo de três anos (entre 2014 e 2016) e envolveu 350 crianças, com idades compreendidas entre os 6 e os 17 anos, com necessidade de punção venosa, acompanhadas pelos pais.


