“Nos últimos anos, o aumento de esperança de vida fez disparar o número de casos em Portugal, contudo a alternativa terapêutica que permite a reparação minimamente invasiva da válvula aórtica doentes com um risco muito elevado para a cirurgia de coração aberto – conhecida como implante da válvula aórtica por cateterismo – continua a ser pouco utilizada em Portugal”, explica o Dr. Rui Campante Teles, cardiologista de intervenção do Hospital de Santa Cruz e coordenador da iniciativa Valve for Life da APIC.
De acordo com o comunicado de imprensa, o número de cirurgias deste tipo realizadas em Portugal representa apenas metade da média europeia. A APIC pretende, assim, sensibilizar a comunidade para a importância do tratamento correto da doença e para o igual acesso de todos os doentes às técnicas inovadoras e minimamente invasivas, garantindo, no entanto, que “Portugal está a recuperar do atraso no tratamento cardíaco dos idosos”.
A estenose aórtica é uma doença rapidamente fatal e incapacitante, muito frequente nos países desenvolvidos, sendo sobretudo uma doença de desgaste associada ao envelhecimento. Esta doença caracteriza-se pelo aperto da válvula aórtica, devido à acumulação de cálcio, que dificulta a passagem do sangue, provocando cansaço, dor no peito e desmaios.
O tratamento das válvulas por cateterismo é um dos mais importantes avanços da cardiologia na última década, uma vez que permite o implante da uma válvula cardíaca através de um pequeno tubo introduzido por uma artéria, não sendo necessária a abertura da caixa torácica. As melhorias produzidas pelos medicamentos são na maior parte dos casos limitadas e não evitam as complicações mais graves provocadas pela exaustão cardíaca que, após os primeiros sintomas e nos apertos de alto grau, conduz à morte de metade dos doentes no primeiro ano.


