Relatório do Programa Nacional para as Hepatites Virais apresentado hoje

28/07/17
Relatório do Programa Nacional para as Hepatites Virais apresentado hoje

O Largo Agostinho da Silva, em Lisboa, acolheu hoje as comemorações do Dia Mundial de Luta Contra as Hepatites Virais. A Dr.ª Isabel Aldir, diretora do Programa Nacional para as Hepatites Virais, apresentou o Relatório do Programa Nacional para as Hepatites Virais (2016-2017) e os Desígnios do Programa (2017-2018), o Dr. Fernando Araújo, secretário de Estado adjunto e da Saúde, anunciou a criação de um Decreto-Lei dirigido à população prisional e Rui Reininho deu o seu testemunho abordando um percurso de 26 anos a (con)viver com hepatite C.

O Dia Mundial de Luta Contra as Hepatites Virais, comemorado hoje, 28 de julho, foi assinalado com a apresentação do Relatório do Programa Nacional para as Hepatites Virais (2016-2017) e dos Desígnios do mesmo Programa (2017-2018).

Dar maior enfoque à prevenção e ampliar o sistema de informação são duas de cinco metas para 2020 do Programa Nacional para as Hepatites Virais indicadas pela Dr.ª Isabel Aldir, diretora do Programa Nacional para as Hepatites Virais. As outras três são aumentar anualmente em 33% o número de rastreios de VHB (vírus da hepatite B) e VHC (vírus da hepatite C), reduzir em 10% a mortalidade associada à infeção crónica por VHB e VHC e reduzir em 30% o número de crianças que já nascem infetadas (apesar de ser uma situação pouco frequente em Portugal).

Relativamente aos desígnios, a Dr.ª Isabel Aldir apontou, entre outros, a atualização e divulgação das recomendações nacionais referentes ao rastreio, a criação de estratégias individualizadas para as populações vulneráveis e garantir o tratamento a todos os doentes.

Quanto aos dados do Relatório, a diretora do Programa começou por destacar a existência de 13 milhões de pessoas com VHB e 15 milhões com VHC em toda a Europa, já na União Europeia existem 4,7 milhões de pessoas com VHB e 3,9 milhões com VHC, sendo “uma realidade que toca a Portugal”. Prosseguiu focando a hepatite C, indicando estarem 7.591 doentes com tratamentos autorizados, terem sido iniciados 11.792 tratamentos e existirem 6.639 indivíduos curados.

Segundo a Dr.ª Isabel Aldir, com a estratégia adotada, foi possível evitar 3.477 mortes, 339 transplantes hepáticos, 1951 carcinomas hepatocelulares e 5417 casos de cirrose. Contribuiu também para uma poupança na ordem dos 271,4 milhões de euros em custos com o tratamento das consequências da evolução da hepatite C. “Temos de fazer um esforço para sermos mais céleres, de forma que sejam feitos tratamentos nas fases mais precoces”, sublinhou.

No que respeita à hepatite A, cujo surto recentemente verificado em 16 países da UE, incluindo Portugal, a diretora do Programa mencionou que a 30 de junho de 2016 tinham sido notificados 378 casos e até à data já foram confirmados 402. “É necessário intensificar a vacinação através de uma estratégia”, referiu a Dr.ª Isabel Aldir, que ainda disse que a hepatite A é mais frequente na região de Lisboa e afeta mais homens (89%) que mulheres (11%).

Neste evento participaram como comentadores ao Relatório o Prof. Doutor Rui Tato Marinho, hepatologista no Hospital de Santa Maria, o Dr. Ricardo Baptista Leite, deputado da Assembleia da República, e Luís Mendão, do Fórum Nacional da Sociedade Civil para o VIH, SIDA, Tuberculose e Hepatites Virais.

 

Hepatite C na primeira pessoa

 

Foi sob algumas questões da Prof.ª Doutora Maria do Céu Machado, presidente do Infarmed, que Rui Reininho deu o seu testemunho pessoal. O músico soube há 26 anos que estava infetado com o VHC, passou por tratamentos “muito agressivos” ao ponto de ter “ideias de suicídio”. Continuou, no entanto, a fazer as delícias dos fãs, dando concertos “em vez de ficar no sofá a chorar”.

Na altura em que soube ter sido infetado com o vírus da hepatite C, “não havia grande esperança e as hipóteses de cura eram muito reduzidas”, comentou Rui Reininho, que em 2014 teve conhecimento dos tratamentos inovadores.

O músico ainda usou da ironia para sublinhar o estigma associado à infeção mencionado que na sua terra dizem “não apanhaste isso por ir à missa”. Contudo, desconhece de onde e como apareceu o vírus. Sabe que ficou sem o VHC, após receber a terapêutica inovadora, no ano passado, depois de dois anos em lista de espera.

 

Uma palavra final

“Quem decide acerca das terapêuticas é o Estado e não os laboratórios farmacêuticos, o que faz uma grande diferença”, salientou o Dr. Fernando Araújo, secretário de Estado adjunto e da Saúde, que finalizou a sessão. “Os resultados do Relatório provam que há um longo caminho a percorrer”, acrescentou o político que anunciou a criação de um Decreto-Lei, onde vem expressa a nova abordagem de tratamento das hepatites víricas nas prisões, com a deslocação dos profissionais da saúde aos estabelecimentos prisionais.

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