Os métodos em vigor atualmente são realizados apenas em animais e apresentam limitações quando testados em contexto clínico. Pelo contrário, a nova solução desenvolvida pela equipa de investigação portuguesa irá permitir avaliar a toxicidade dos medicamentos num sistema “humanizado” já que as células são colocadas numa plataforma microfluídica e “expostas a condições de fluxo arterial que permite uma avaliação toxicológica em condições semelhantes ao que acontece in vivo”, informa a UC em comunicado de imprensa.
Numa primeira fase, a equipa desenvolveu uma metodologia para obter células endoteliais humanas a partir de células estaminais pluripotentes (CEP) – que podem originar todos os tecidos do organismo – e avaliou o impacto de quase 1.300 químicos, identificando dois particularmente perigosos. A Dr.ª Susana Rosa, investigadora do estudo, adianta que a aflufenazina e o 7-Cyclo dois são compostos “que interferem na formação da vasculatura embrionária”.
A análise é baseada em células endoteliais embrionárias, obtidas a partir das células pluripotentes. A equipa descobriu que estes dois químicos apresentam uma maior toxicidade nas células endoteliais embrionárias quando comparados com as células endoteliais pós-natais.
A nova técnica, desenvolvida no âmbito de um estudo publicado recentemente na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences, irá permitir avaliar a toxicidade dos medicamentos num sistema “humanizado” e poderá contribuir para a redução de defeitos no desenvolvimento do sistema vascular do embrião.
O estudo foi financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT) e por fundos europeus através dos programas COMPETE, QREN e FEDER.


