“Uma vez que grande parte das ações de formações e reuniões científicas no âmbito de cuidados paliativos se dedicam sobretudo aos doentes oncológicos, quer a população em geral, quer a população médica ainda associa estes cuidados a esta área”, começa por explicar a especialista. No entanto, prossegue, “já é consensual que deve haver uma introdução precoce dos cuidados paliativos no tratamento das doenças oncológicas e não oncológicas, a par de todos os outros cuidados, mesmo que o objetivo seja curar”.
Relativamente às doenças não oncológicas, a Dr. Elga Freire adianta que as insuficiências de órgão como a insuficiência cardíaca, a doença renal crónica avançada, as doenças respiratórias crónicas, a doença hepática avançada ou a sida “são áreas que carecem de uma atenção específica em cuidados paliativos”. Destaque ainda para as doenças neurológicas e degenerativas, “nas quais se incluem as demências e a esclerose lateral amiotrófica”.
Dada a relevância do tema, os cuidados paliativos não oncológicos vão estar em destaque no encontro de amanhã. Com estas jornadas, o Núcleo de Estudos de Medicina Paliativa pretende, assim, dirigir-se “a todos os profissionais de saúde que lidam com pessoas com doenças graves e/ou avançadas e progressivas, sejam da medicina interna, dos cuidados paliativos, ou dos cuidados de saúde primários”. Em comunicado de imprensa, a SPMI informa que durante a iniciativa vão ser partilhadas as experiências de vários internistas e serão apresentados e discutidos exemplos de organização de resposta multidisciplinar às necessidades específicas das doenças neuromusculares em ambiente hospitalar e domiciliário.


