José Manuel Silva lembrou que os políticos optam sempre por avaliar os gastos em saúde em percentagem do PIB, mas o facto é que o gasto em saúde per capita em Portugal "é muito inferior à média da OCDE" sustenta.
Numa conferência intitulada 'Ética em tempo de crise", o bastonário foi mais longe e considerou que o que a 'troika' está a fazer ao Serviço Nacional de Saúde e ao País não é aceitável, apelando a uma revolta pacífica dos portugueses. E lembrou que "o Governo tem a legitimidade da lei e do poder, mas não tem a legitimidade democrática [para reduzir o papel do Serviço Nacional de Saúde] porque esta lhes foi dada pelo povo português em função de um programa eleitoral que apresentaram e não de medidas contrárias que não foram sufragadas".
Para o bastonário, a "ética tem que ser um consenso alargado na sociedade, não pode ser feita por um grupo fechado que impõe uma determinada ética" referindo-se ao Parecer do Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida, que gerou polémica há alguns meses.
E fez um alerta a todos os médicos para que "não racionem medicamentos, pois não é esse o nosso papel (...) Somos médicos, não somos economistas". E, enquanto tal, "não podemos aceitar nunca que a evidência científica seja passada para segundo plano". E terminou "parafraseando S. Bento, vou continuar a trabalhar e a rezar pelo nosso Serviço Nacional de Saúde".
Na sessão de abertura do Congresso, esteve ainda presente o Presidente da ARS do Algarve, Martins dos Santos, que felicitou a Sociedade Portuguesa de Medicina Interna, elogiando a capacidade de organização, mobilização e de partilha de conhecimento dos médicos internistas, o que, no seu entender, demonstra como a "Medicina Interna Portuguesa está pujante".
Tomando como exemplo o papel de coordenação que a Medicina Interna assume num sistema hospitalar, Martins dos Santos, lembrou que "cada vez mais os médicos vão ser solicitados a desempenhar funções de gestão". E deixou um desafio à Ordem dos Médicos, para que "incremente a formação na área da gestão, tendo como objetivo dar mais ferramentas a quem tem cargos de gestão num hospital".
Congresso mobiliza 1.500 médicos internistas
O 19.º Congresso Nacional de Medicina Interna, o maior encontro médico-científico do país, decorre até sábado, dia 25 de Maio, no Tivoli Marina Hotel, em Vilamoura. O encontro é organizado pela Sociedade Portuguesa de Medicina Interna que mobilizou 1.500 médicos internistas.
"As novas fronteiras nas doenças autoimunes", a "Infeção VIH/Sida, a "Dor crónica" e a "Formação em Medicina Interna" serão alguns dos temas em destaque no dia de amanhã, durante o qual irão realizar-se as conferências "Porque é que os médicos erram os diagnósticos", "Farmacogenómica da prática clínica", "Simulação biomédica e ensino da Medicina Interna" e Terapêutica com células estaminais. Presente e Futuro".
"

