SPMI alerta: fígado gordo é já a doença hepática mais frequente

04/10/17
SPMI alerta: fígado gordo é já a doença hepática mais frequente

Quando pensamos em fígado, as hepatites são as doenças que se destacam. Mas estas não são as mais frequentes, conforme explica o Dr. Arsénio Santos, coordenador do Núcleo de Estudos das Doenças do Fígado (NEDF) da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna (SPMI), que chama a atenção para aquela que “é já, no presente, a doença mais frequente: o fígado gordo”. Um problema que, entre outros, vai estar em destaque nas XI Jornadas do NEDF, que se realizam já a 6 e 7 de outubro, no Hotel Axis, em Viana do Castelo.

“Ao contrário das hepatites virais, cujo número tenderá a baixar, e da doença hepática alcoólica, que continua a ser um problema entre nós mas que não tem aumentado em número de casos, prevê-se que o fígado gordo, resultante de maus hábitos alimentares e do estilo de vida moderno, seja cada vez mais frequente”, refere o Dr. Arsénio Santos. Um aumento que não surpreende, uma vez que, explica o especialista, “há uma relação direta entre os excessos da alimentação moderna, o estilo de vida sedentário e o aumento da incidência de fígado gordo. Este aumento tem também relação direta com o aumento do número de casos de obesidade, de diabetes e de dislipidemia, todas elas causa de fígado gordo. E a nossa capacidade para diminuir o número de casos destas doenças, e para as combater, passa essencialmente pela educação das pessoas para fazerem uma alimentação mais saudável, com menor consumo de gorduras e hidratos de carbono e maior ingestão de vegetais, e para adotarem estilos de vida menos sedentários, com atividade física regular”.

O presente e o futuro das hepatites será outro dos temas em discussão. Um presente que, garante o coordenador do NEDF, “é já muito gratificante, pois temos tratamentos que, embora dispendiosos, são muito eficazes e muito bem tolerados, tanto para a hepatite B como para a C. Quanto ao futuro, a erradicação destas doenças poderá ainda demorar algumas décadas mas é lícito esperar, nos próximos anos, uma diminuição drástica do número de novos casos de infeção e a médio prazo a redução do número de complicações destas doenças”.

Para os internistas, as doenças do fígado vão continuar a ser um desafio, mais ainda porque, tendo em conta que estes especialistas “abordam a pessoa doente de uma forma global, estão em situação privilegiada para continuar a diagnosticar, tratar e acompanhar os doentes hepáticos, pois as doenças do fígado não existem isoladamente, tendo frequentemente implicações sistémicas”. O Dr. Arsénio Santos reforça que este é um trabalho que os médicos internistas querem continuar a fazer, mas chama a atenção para outro objetivo importante dos que se têm dedicado às doenças hepáticas: “Que a nível da Ordem dos Médicos seja reconhecida essa diferenciação de alguns internistas. Durante anos, lutamos pela criação de uma Competência em Hepatologia a que pudessem aceder especialistas provenientes de áreas diversas. Como parece que, neste momento, tal não é possível, por ter sido, há alguns anos, criada a subespecialidade de Hepatologia no seio da especialidade de Gastrenterologia, parece que a única alternativa será a criação de algo semelhante a que os internistas possam também aceder. Se assim é, que seja esse o caminho mas que se resolva em breve, pois esta indefinição já se arrasta há muito tempo”.

Mais informações sobre as XI Jornadas do NEDF disponíveis aqui

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