“Sem ser para nós uma completa surpresa, já que em auscultações bilaterais prévias tínhamos sentido essa determinação, não deixa esta proposta, a ser levada a cabo, de nos causar alguma perplexidade”, pode ler-se no comunicado avançado pela SPH.
A SPH assume estar, “como princípio orientador, contra a introdução de taxas, agravado pelo facto de irem incidir em produtos maioritariamente consumidos pelas classes mais desfavorecidas”. Verificando-se o que foi referenciado pela comunicação social, “esta medida não se vai refletir nos bolsos dos portugueses”. Assim, segundo a SPH, “a sua incidência em termos de impacto na Saúde Pública é completamente negligenciável, sendo a intervenção populacional a única que trará benefícios em termos de morte por doença cardiocerebrovascular e por redução dos números de anos perdidos por morte prematura”.
A SPH mostra-se surpreendida com a intenção governamental de taxar produtos com teor de sal acima de 10 gr/kg, uma vez que “o teor médio de consumo de sal dos portugueses é de 10,7 gr/dia e a recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS) se cifra nos 5 gr/dia, o que desde logo leva a que a ingestão de 100 gr dos referidos produtos, a saber, bolachas, cereais e batatas fritas, tenhamos a ingestão de 1 gr de sal”.
A SPH recorda ainda que “a lei do sal no pão, pioneira em todo o mundo, citada nas diversas instâncias políticas e científicas e levada a cabo sob proposta da SPH, limita a 14 gr/kg a quantidade de sal no pão, ou seja, valor 40% acima do que agora é proposto para os produtos em apreço”.
Posto isto, a SPH questiona: “Muito gostaríamos de saber em que estudos ou registos científicos se baseou o Governo para propor 10 gr/kg. Porque não 9, ou 11, ou 10,5?”.
A SPH esclarece que é “a favor da redução do consumo de sal”, bem como “a favor da mesma ser feita na base do conhecimento científico”, e demonstra “toda a disponibilidade para encontrar com o governo e com os outros parceiros medidas e ações que mereçam reflexão e ponderação prévias”.


