Os episódios de TEV em doentes oncológicos aumentam entre duas a seis vezes o risco de morte do doente. Para além disso, o TEV pode comprometer os tratamentos oncológicos.
Neste contexto, a Daiichi Sankyo anuncia que se encontra em curso o estudo Hokusai VTE-Cancer, que avalia o tratamento com edoxabano, um inibidor do fator Xa, de toma oral, uma vez por dia, em doentes com TEV associado à doença oncológica.
A introdução dos novos anticoagulantes orais não-antagonistas da vitamina K (NOAC) no âmbito da terapêutica anticoagulante representou um grande avanço nos últimos anos. Com uma eficácia pelo menos comparável aos antagonistas da vitamina K (AVK), e com um perfil de segurança e comodidade superiores, os NOAC são atualmente utilizados em alternativa aos AVK em várias indicações. Ainda restam algumas indicações para as quais o uso dos NOAC se assume como vantajoso em relação aos AVK, embora até ao momento não existam dados de evidência científica que comprovem o seu benefício. É o caso da utilização dos NOAC em doentes com tromboembolismo venoso (TEV) associado ao cancro.
No entanto, esta lacuna de conhecimento será preenchida em breve com a publicação dos resultados deste novo estudo, esperados até ao final do ano.
Anteriormente, o estudo Hokusai-VTE tinha já demonstrado uma redução eficaz dos sintomas de TEV recorrente com edoxabano, incluindo o risco de TVP e embolia pulmonar (EP) fatal e não-fatal no grupo de doentes que já tinham sofrido um TEV (3,2% vs. 3,5% dos doentes, edoxabano 60 mg vs. varfarina, respetivamente; a taxa de risco foi de 0,89; o intervalo de confiança foi de 95%, 0,70 a 1,13, p<0,001). Edoxabano demonstrou também uma redução significativa de 19% do risco de hemorragia clinicamente relevante em doentes com TEV, comparativamente com varfarina (8,5% vs. 10,3% dos doentes, respetivamente; com uma taxa de risco de 0,81; um intervalo de confiança de 95%, 0,71 a 0,94, p=0,004).
O estudo Hokusai VTE-Cancer foi iniciado para avaliar se o tratamento inicial com HBPM seguido da administração de edoxabano é não-inferior às HBPM (dalteparina) na prevenção combinada de dois objetivos primários: TEV recorrente ou hemorragia major em doentes com TEV e cancro, durante um período de 12 meses. Estas duas complicações ocorrem frequentemente em doentes com cancro que recebem tratamento anticoagulante e afetam significativamente o prognóstico e a qualidade de vida. Esta avaliação superior a seis meses irá preencher a lacuna atual na base de evidências para o tratamento a longo prazo desses doentes.


