Nos últimos quatro meses, foram intervencionados, no CHLN, 12 doentes com recurso a esta técnica que se carateriza pela junção de dois implantes de drenagem não valvulados - um tubo Baerveldt e um dispositivo XEN - e os resultados demonstraram-se francamente promissores no controlo da pressão intraocular, que é o principal fator de risco para quem sofre de glaucoma.
Conforme explica o Dr. Luís Abegão Pinto, oftalmologista responsável pela aplicação deste novo procedimento, “esta técnica implica a introdução de um material diferente, mais biocompatível, e também prevê uma recuperação mais rápida, com a grande vantagem de poder efetuar, mais rapidamente, um controle da tensão”. O especialista, citado pelo SNS, acrescenta ainda que o método permite também “diminuir os efeitos adversos normalmente associados a este tipo de cirurgia”.
Para o oftalmologista, as principais vantagens apresentadas por este procedimento tem que ver com os efeitos a médio-longo prazo: “Um dos grandes problemas das cirurgias do glaucoma prende-se com a segurança a longo prazo. Esta técnica resulta num pós-operatório mais breve e de mais fácil recuperação. As cirurgias clássicas implicam necessariamente uma segunda ida ao bloco para ajuste de dispositivo, algo que com esta técnica não se justifica. Evita-se assim essa segunda intervenção cirúrgica, o que diminuiu bastante os riscos pós-operatórios. Esta é uma solução para doentes mais novos e também para os doentes nos quais a cirurgia standard não apresentou os resultados esperados e que necessitam de uma estratégia diferenciada”.
A diretora do Serviço de oftalmologia do CHLN, Dr.ª Fátima O. Campos, espera que, futuramente, este procedimento aumente e evolua no centro hospitalar, uma vez que recebe “um número considerável” de doentes jovens com glaucoma avançado e muitos são “candidatos” a este tipo de intervenção. “Podemos assim proporcionar-lhes uma resposta mais eficaz e adequada às suas necessidades”, conclui.
A técnica aplicada à cirurgia do glaucoma foi iniciada por um Centro Oftalmológico em Genebra, na Suíça, a que se seguiu outro, em Mainz, na Alemanha. O CHLN é, assim, o terceiro centro da Europa a introduzir esta técnica, apresentando já a segunda maior casuística, o que o posiciona como um centro de excelência nesta área, a nível europeu. Em Portugal, é pioneiro na área, quer pelo recurso a este procedimento inovador, quer pela casuística já apresentada.
Fonte: SNS


