Inquérito Serológico Nacional: população portuguesa com elevada imunidade

03/11/17
Inquérito Serológico Nacional: população portuguesa com elevada imunidade

Os resultados do Inquérito Serológico Nacional (ISN) 2015-2016, promovido pelo Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge, através dos seus departamentos de Doenças Infeciosas e de Epidemiologia, demonstram que a implementação do Plano Nacional de Vacinação (PNV) em Portugal teve como consequência uma elevada proporção de pessoas imunizadas relativamente às doenças abrangidas pelo PNV. Neste inquérito foram incluídas, pela primeira vez, as doenças sexualmente transmitidas e as Regiões Autónomas dos Açores e Madeira.

De acordo com os resultados obtidos através da participação de quase 5.000 portugueses, mais de 92% dos indivíduos possuem anticorpos para os agentes causadores do tétano, poliomielite, rubéola e sarampo. Em relação à toxina tetânica (tétano), por exemplo, foram detetados anticorpos em todos os indivíduos estudados, embora 1,6 % apresentassem valores de concentração abaixo do preconizado como garantia de imunidade.

Outro dos principais resultados do ISN 2015-2016 indica que não existem diferenças consideráveis no que diz respeito aos valores de seroprevalência apurados para as sete regiões NUTS II. Contudo, para alguns grupos etários, a proporção de indivíduos com anticorpos para tétano, vírus da poliomielite tipo 1, rubéola e sarampo, foi menor do que a observada no inquérito serológico de 2001-2002, facto que merece reflexão e justifica a realização de estudos adicionais que clarifiquem as causas do observado.

O ISN incluiu, pela primeira vez, o estudo da prevalência de infeções sexualmente transmissíveis (IST) com impacto em saúde pública, nomeadamente infeção por chlamydia trachomatis, sífilis, infeção por VIH e hepatite C. Para C. trachomatis, foi apurada uma prevalência de 2,7 %, valor em consonância com as estimativas europeias de prevalência para a faixa etária avaliada neste estudo (18 a 35 anos), enquanto a seroprevalência para T. pallidum foi de 2,4 %, observando-se valores mais elevados nas idades mais avançadas, que poderão ser explicados pela elevada incidência da sífilis em Portugal nas décadas de 60 e 70 do século passado.

O ISN 2015-2016 contou com um financiamento de cerca de 700 mil euros, 15 % dos quais foram assegurados pelo Estado Português.

Fonte: SNS

Partilhar

Publicações