Na análise da evolução de um conjunto de indicadores ao longo do tempo, observam-se igualmente tendências positivas. Destaca-se os seguintes indicadores de “Estado de saúde”, domínio em que são apresentados indicadores relativos à esperança média de vida em homens e mulheres, esperança de vida aos 65 anos, mortalidade por principais causas e doenças mentais, e onde Portugal apresenta valores muito próximos da média da OCDE. No caso da prevalência da demência, em que a média da OCDE é de 14,8/1.000 habitantes, em Portugal este valor atinge 19,9/1.000 habitantes, surgindo assim no quarto lugar com mais casos, atrás de Alemanha, Itália e Japão. A diabetes apresenta igualmente valores acima da média da OCDE, correspondendo a 9,9 % da população de 20-79 anos.
No que respeita aos “Fatores de risco para a saúde”, Portugal apresenta resultados favoráveis no consumo de tabaco (16,8% de população que fuma diariamente, que comparam com os 18,4% da média da OCDE); de álcool (9,9 litros, que comparam com a média de 9,0 da OCDE, tendo em consideração que o valor do ano 2000 foi de 11,9 litros per capita); na obesidade (16,6 %, contra 19,4 % da média da OCDE) e poluição do ar (24PM2.5, face a 68PM2.5).
Relativamente ao “Acesso a Cuidados de Saúde”, Portugal apresenta valores favoráveis, relativamente à média da OCDE, nos principais indicadores neste domínio: cobertura da população em cuidados de saúde; tempo de espera para cirurgia às cataratas; consultas não efetuadas devido ao seu custo. O valor do indicador “percentagem do consumo das famílias destinada aos cuidados de saúde” (despesas diretas com saúde nas famílias portuguesas, as chamadas despesas out-of-pocket, é ligeiramente mais desfavorável a Portugal (3,8 %), sendo o valor médio da OCDE de 3,0 %.
Portugal mantém valores próximos da média da OCDE nos indicadores de “Qualidade dos cuidados de saúde”: admissões hospitalares por asma e doença pulmonar obstrutiva crónica (DPOC), prescrição de antibióticos, mortalidade por enfarte agudo do miocárdio (EAM), complicações cirúrgicas, sobrevivência por cancro do cólon e trauma obstétrico, cobertura vacinal. Evidencia-se, em particular, em dois deles: internamentos por asma e DPOC – Portugal ocupa a terceira posição, num total de 34 países observados; trauma obstétrico – Portugal ocupa a quinta posição num total de 21 países observados.
No que respeita ao consumo de benzodiazepinas em adultos com mais de 65 anos, Portugal encontra-se no segundo lugar, num conjunto de 16, dos países com maior consumo.
Do conjunto de indicadores selecionados para o domínio ”Recursos em Saúde”, Portugal apresenta valores próximos e, em vários deles, superiores à média da OCDE. Veja-se as despesas totais per capita (2.734,0 USD por habitante), médicos por mil habitantes (3,4) e enfermeiros por mil habitantes (6,3). Relativamente ao indicador “número total de médicos per capita”, Portugal ocupa a terceira posição no total de 35 países.
São ainda de destacar os seguintes indicadores: mamografias em mulheres de 50-69 anos – Portugal ocupa o segundo lugar, em 33 países, com uma evidente melhoria desde 2005; embolismo pulmonar pós-operatório e trombose de veias profundas em cirurgias de anca e joelho – Portugal sagra-se em segundo lugar num conjunto de 14 países; sépsis pós-operatória em cirurgias abdominais – o país fica em quinto lugar, num conjunto de 14 países; consumo regular de fruta em adultos – Portugal ocupa a quarta posição entre 32 países.
Esta nova edição do Health at a Glance apresenta os dados mais recentes, comparáveis entre os estados membros da organização, designadamente sobre o estado de saúde das populações, o acesso aos cuidados de saúde, a qualidade dos cuidados prestados e o desempenho dos sistemas de saúde. Comparativamente com edições anteriores, destaca-se a inclusão de novos indicadores na área dos fatores de risco em saúde.
Fonte: SNS


