Reumatologia e MGF unidas no combate às doenças reumatológicas

09/06/13

Como para outras especialidades, também para a Reumatologia a MGF é uma "aliada" de sucesso na deteção e diagnóstico de casos do foro reumatológico. Quem o afirma é Viviana Tavares, presidente da Sociedade Portuguesa de Reumatologia (SPR).

 



A Reumatologia portuguesa tem acompanhado a evolução da especialidade a nível europeu e mundial. Atualmente, decorre no país um estudo epidemiológico que procura retratar a prevalência destas doenças. Viviana Tavares, presidente da SPR, aponta este como um passo importante para o desenvolvimento da especialidade, embora sublinhe que o estado da arte no nosso país esteja ao nível do da Europa.

"A Reumatologia portuguesa está ao nível da dos outros países europeus e não europeus, no que diz respeito aos seus conhecimentos, técnicas de diagnóstico que utiliza e acesso a formação", começa por dizer a especialista, que afirma que esta igualdade se estende aos fármacos disponíveis, mesmo aos mais inovadores.

Já uma questão que a médica diz que necessita de ser melhorada é a acessibilidade do doente e a comparticipação, assim como o facto de Portugal ter um número de reumatologistas menor do que o desejado.

Relativamente à prevalência das doenças reumáticas, a presidente da SPR conta que está de momento em curso um estudo epidemiológico que permitirá perceber qual a sua incidência e prevalência, nomeadamente em relação àquelas que são menos frequentes.

"Neste momento, o projeto tem um ano e meio de desenvolvimento e já cobriu dois terços do país, o Centro e o Sul. Está agora no Norte e na Região Autónoma dos Açores e irá estar também na Madeira. Penso que no fim de 2014 já haverá resultados finais e aquilo que vemos agora, de uma forma muito superficial, é uma prevalência muito elevada de queixas musculoesqueléticas", revela, acrescentando que as patologias mais prevalentes são, como esperado, as lombalgias, a osteoartrose da mão e do joelho e doenças periarticulares, como, por exemplo, as tendinites.

Apesar destes dados, a especialista frisa que o estudo foi pensado para mais tempo, de modo a poder ter-se uma noção da incidência de doenças menos frequentes. A osteoartrose é a doença mais frequente e a médica aponta algumas das suas especificidades. "Pode não ter nenhuma causa conhecida. Pode ter uma forte componente genética ou inflamatória. Pode também estar relacionada com os microtraumatismos, questões de postura, excesso de peso. Podem ser variadíssimas as razões e tudo depende de que tipo de osteoartrose estamos a falar", sublinha, sustentando que, a este nível, é "muito importante" a ligação com o MF.

 

 

"O papel do MF é sempre fundamental, pois ele é a porta de entrada para o serviço nacional de saúde", lembra Viviana Tavares, explicando que cabe sempre ao MF fazer uma primeira avaliação, com um diagnóstico o mais correto possível e, em caso de dúvida, enviar o paciente para um especialista.

 

"Penso que quando estamos a falar de osteoartrose, de lombalgias, ou de osteoporose, estas patologias podem e devem continuar a ser seguidas em MGF, exceto quando existe alguma complicação ou dúvida de diagnóstico", aconselha, adiantando que, relativamente a reumatismos inflamatórios e doenças reumáticas sistémicas, o que o MF deve fazer é "o diagnóstico o mais precoce possível e enviar o paciente para uma consulta de Reumatologia".

 

Para que esta ligação entre a Reumatologia e a MGF seja o mais proveitosa possível, Viviana Tavares diz que a aposta deve ser na formação: "Muitos colegas têm dúvidas na observação dos dados clínicos e isso pode atrasar a referenciação do doente. Isto é um problema de formação que vai levar tempo a resolver."

 

As declarações de Viviana Tavares surgem na edição de junho do Jornal Médico, que dedica várias páginas a um Especial sobre Reumatologia.

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