O estudo decorreu durante 49 semanas e envolveu 29 crianças com PEA com idades compreendidas entre os dois e os sete anos. Os autores referem que, inicialmente, observaram melhorias no grupo que recebeu células estaminais, em comparação com o grupo placebo, na pontuação obtida na Escala de Comportamento Adaptativo de Vineland, um teste frequentemente utilizado para avaliar diversas competências, nomeadamente ao nível da comunicação, socialização, função motora e autonomia.
Em termos estatísticos, esta melhoria acabou por não se revelar significativa, no entanto, os autores referem que a tendência observada, de melhoria no grupo que recebeu células estaminais, vai ao encontro dos resultados obtidos por investigadores da Universidade de Duke, nos EUA, num ensaio clínico que também testou a administração de sangue do cordão umbilical autólogo a crianças com PEA.
“De acordo com o instituto Sutter Health, responsável pelo ensaio clínico, os pais que emitiram opinião acerca do estudo demonstraram grande satisfação relativamente às melhorias observadas nos seus filhos. A autonomia, compreensão global da linguagem, comunicação e socialização foram algumas das competências em que os pais observaram claras melhorias”, refere a Dr.ª Bruna Moreira, investigadora do Departamento de I&D da Crioestaminal.
A investigadora acrescenta ainda que “a incidência das PEA tem vindo a aumentar ao longo das últimas décadas e, apesar de ser possível realizar algumas intervenções ao nível comportamental, não existe cura para estas disfunções, pelo que é de extrema importância investir em estudos clínicos nesta área”.
Atualmente, as PEA afetam cerca de 60 em cada 10 mil crianças em todo o mundo e incluem um conjunto heterogéneo de disfunções de ordem neurológica, caracterizadas por alterações no normal desenvolvimento da criança, nomeadamente ao nível da comunicação, linguagem, comportamento e interação social. Em Portugal, o autismo afeta cerca de uma em cada mil crianças.



