O estudo descritivo sobre a ferramenta demonstra os resultados obtidos através da análise por epidemiologia molecular do vasto conjunto de dados depositados na CPLP-TB – 1447 estirpes de Portugal, Brasil, Moçambique, Angola e Guiné Bissau incluídos neste estudo e em expansão para os restantes países.
Esta primeira análise integrada permite uma nova perspetiva acerca da disseminação do mycobacterium tuberculosis no espaço lusófono e identifica traços comuns ao nível da sua estrutura populacional nestes países, onde a tuberculose é uma das principais causas de morte, em particular no doente co-infectado com o VIH.
Foram ainda identificados seis clusters transnacionais de estirpes geneticamente próximas e cuja existência poderá ilustrar casos de transmissão intercontinental recente entre os países incluídos no estudo. A existência e identificação destes clusters e estirpes associadas assume especial relevância para o controlo da tuberculose e permite conhecer cadeias de transmissão adicionais e que de outra forma seriam de difícil identificação. Cinco destes clusters incluem estirpes resistentes a um ou mais fármacos de primeira-linha usados na terapêutica da tuberculose.
O site online da CPLP-TB encontra-se disponível a toda a comunidade científica e autoridades de saúde pública e permite o rastreamento de diversas estirpes no espaço lusófono. A CPLP, com os seus nove estados-membro, representa uma extensa área geográfica com uma incidência de tuberculose que varia geograficamente e com um sistema migratório interno que pode facilitar a disseminação de algumas destas estirpes.
O desenvolvimento da CPLP-TB foi coordenado pela Dr.ª Isabel Portugal e pelo Dr. João Perdigão, professores e investigadores do Instituto de Investigação do Medicamento (iMed.ULisboa) na FFULisboa e contou ainda, a nível nacional, com a participação do Dr. Miguel Viveiros, professor do Instituto de Higiene e Medicina Tropical da Universidade Nova de Lisboa.
O estudo conta ainda com a colaboração de diversas instituições internacionais como é o caso da Universidade Federal do Rio Grande e do Centro de Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Rio Grande do Sul, laboratórios associados deste projeto.


