Famílias portuguesas com menos recursos apresentam maiores proporções de obesidade e diabetes

24/06/13

O Ciclo de Conferências «Diabetes Século XXI: O Desafio» está de regresso amanhã, terça-feira, 25 de junho, às 18h00, na Escola da Diabetes Ernesto Roma, em Lisboa. Pedro Graça, diretor do Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável, falará sobre «As alimentações e a Diabetes: As desigualdades sociais e o risco de diabetes».


De acordo com o Observatório Nacional da Diabetes, verifica-se a existência de uma relação entre o escalão de Índice de Massa Corporal (IMC) e a Diabetes, com cerca de 90% da população com Diabetes a apresentar excesso de peso ou obesidade. Uma pessoa obesa apresenta um risco 3 vezes superior de desenvolver Diabetes do que uma pessoa com peso normal. Outro fator alarmante é o aumento da obesidade infantil, que terá um impacto no crescimento da Diabetes, estimando-se que em 2020 cerca de 20% da população portuguesa seja atingida pela doença.


Nível socioeconómico

Um aspeto que está relacionado com a obesidade é o nível socioeconómico. Muitos são os estudos que mostram que os grupos populacionais de nível socioeconómico mais baixo apresentam padrões alimentares mais afastados das recomendações para uma alimentação saudável, ao mesmo tempo que a prevalência da obesidade e da diabetes apresenta também uma maior proporção nestes grupos populacionais.


«A obesidade pode surgir como mais uma face das desigualdades sociais, sendo a sua prevalência cada vez mais comum entre os grupos socialmente mais vulneráveis, quer nos países desenvolvidos quer nos países em desenvolvimento podendo-se afirmar que situações de carência alimentar podem coexistir com situações de obesidade, que são mantidas e incentivadas pelo acesso fácil a produtos alimentares baratos, ricos em energia, mas pobres em nutrientes», refere Pedro Graça.


A educação, o acesso a estruturas onde se possa praticar atividade física, a segurança nas ruas, o tempo gasto em transportes, a existência e ocupação de tempos livres, o planeamento urbano e até os horários laborais são alguns dos fatores sociais e económicos que condicionam a obesidade. «Estas condições podem ajudar a explicar o que se passa na Europa, e noutras partes do mundo, onde a obesidade cresce, em especial junto dos grupos suburbanos mais pobres. Inatividade física e consumo de alimentos baratos com elevado valor energético caracterizam esta cultura periurbana que ocupa já a maior parte do planeta», refere Pedro Graça.


O combate à obesidade e à diabetes, onde a alimentação tem um papel fundamental, apresenta-se como uma oportunidade para combater as desigualdades sociais e económicas e a própria pobreza. Para o especialista, esta é uma situação que se pode prevenir e combater, nomeadamente com o envolvimento dos setores produtivos da sociedade portuguesa.

 


Sobre Pedro Graça:

Pedro Graça é licenciado em Ciências da Nutrição, Mestre em Saúde Comunitária pela Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa e Doutorado em Nutrição Humana pela FCNAUP. Professor Associado da Universidade do Porto, é membro do Conselho Cientifico da ASAE, do HLG da DGSanco (Comissão Europeia) e Diretor do Programa Nacional para a Promoção Alimentação Saudável – DGS.

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