APOGEN assinala uma década de genéricos em Portugal

28/06/13

Numa altura em que a Associação Portuguesa de Medicamentos Genéricos (APOGEN) celebra 10 anos de vida, o seu presidente, Paulo Lilaia, apresenta o balanço da última década e define os objetivos da indústria. Entre 2003 e 2009, os genéricos geraram poupanças totais – Estado e utentes – na ordem dos 1225 milhões de euros.


Apesar do contributo dos medicamentos genéricos para o setor da Saúde em Portugal, a indústria enfrenta importantes desafios. Os preços dos medicamentos genéricos desceram quase 70% desde Setembro de 2008, e só nos últimos três anos, desceram quase 60%. Segundo o presidente da APOGEN, "a descida de preços dos medicamentos genéricos atingiu o seu limite". "Mais descidas levariam não só a uma situação de estrangulamento das empresas de MG, como colocariam em causa todo o sector. Seriam muito prejudicais para o Estado e Utentes, já que provocariam a retirada de MG existentes do mercado ou o não lançamento de novos por inviabilidade de comercialização. Esta situação levaria à utilização de medicamentos alternativos, sem real vantagem terapêutica, mas muitas vezes, de preço mais elevado", acrescenta.

 

Tendo em conta este contexto, a APOGEN pretende desenvolver todos os esforços para levar a cabo dois grandes objetivos:
- diminuir as barreiras ao acesso ao mercado dos medicamentos genéricos, nomeadamente através da agilização dos processos de Preço e Comparticipação e da introdução na legislação da cláusula "Advance Manufacturing"
- diminuir as barreiras ao desenvolvimento do mercado dos medicamentos genéricos, por exemplo através do fim do Price Linkage e das baixas de preço generalizadas, ou de políticas de incentivo à dispensa de medicamentos genéricos através de sistemas diferenciados de remuneração dos armazenistas e das farmácias.


Quota de mercado dos MG deve atingir 60% em 2014


As mais-valias geradas pelo setor não se resumem apenas às poupanças alcançadas ou ao acesso a medicamentos seguros, eficazes e de qualidade. Atualmente, os produtores de medicamentos genéricos estão a transformar-se nos principais fornecedores de medicamentos para os europeus. Analisando a Europa como um todo, mais de metade de todos os fármacos prescritos anualmente, são medicamentos genéricos.


Por outro lado, a concorrência gerada pelos medicamentos genéricos cria um forte incentivo para o desenvolvimento de produtos inovadores, por parte dos produtores desses medicamentos. Além disso, as poupanças resultantes do consumo de genéricos permitem a libertação de verbas relevantes, que possibilitam aos governos financiar tratamentos com medicamentos inovadores, mais dispendiosos.


Para além do desenvolvimento, fabrico e comercialização de medicamentos genéricos, as empresas do setor investem na melhoria dos processos de fabrico, dando origem muitas vezes a produtos de melhor qualidade, e de menor custo. Várias empresas de genéricos estão ativas ao nível do desenvolvimento de novas formulações, novas formas de administração e opções de dosagem para medicamentos que são amplamente conhecidos.


"Os medicamentos genéricos são hoje uma ferramenta essencial para a sustentabilidade do sector de saúde e do SNS, ao disponibilizarem medicamento de elevada qualidade a um custo mais acessível", afirma Paulo Lilaia. Recorde-se que, de acordo com o Memorando de Entendimento com a Troika, Portugal deverá atingir 60% de quota de mercado de medicamentos genéricos no SNS em 2014, partindo dos atuais 38,5%. Também por essa razão, "a sustentabilidade da indústria de MG é um dos elementos chave para garantir o acesso a medicamentos e a sustentabilidade do sector da Saúde e do próprio país", reitera o presidente da APOGEN

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