“A relação entre doenças cardiovasculares e diabetes é, do ponto de vista da Saúde Pública, preocupante e perigosíssima”, refere o Dr. Carlos Aguiar, acrescentando que “a mortalidade por doenças cardiovasculares tem vindo a diminuir, o que mostra os benefícios do controlo dos fatores de risco. Mas, apesar disto, tem havido um aumento da prevalência da obesidade, que é um caminho para a diabetes do tipo 2. A minha preocupação é que este aumento de obesidade e diabetes venha a causar uma inflexão na mortalidade cardiovascular”.
Em Portugal, a diabetes continua a ser uma doença por controlar. De acordo com o Dr. Jácome de Castro, no Atlas da Federação Internacional da Diabetes de 2017, “Portugal representa uma das manchas mais escuras da Europa”.
Como tal, é importante passar a mensagem de que, “para além do rim, do olho e das amputações, a doença cardíaca e a mortalidade cardíaca são um dos principais inimigos a ter em conta na diabetes, porque é por isso que os doentes morrem”, adianta o endocrinologista.
O Dr. Carlos Aguiar reforça ainda a ideia de que “as pessoas tendem a olhar para a diabetes como um problema associado a comer doces. Mas, aqui, o que importa é que esta é uma doença que vai resultar numa perda de tempo de vida. Quando há uma doença cardiovascular associada, a nossa esperança de vida é encurtada em oito, nove anos, em média. Se tivermos também diabetes, a ligação é realmente perigosa, ou seja, o tempo de vida é ainda mais curto”.
Um diagnóstico atempado, que permita evitar as complicações associadas à diabetes, entre as quais as cardiovasculares, é cada vez mais um desafio. Segundo o Dr. Jácome de Castro, os números estimam que, em Portugal, cerca de 30% dos doentes com diabetes não estejam diagnosticados, querendo isto dizer que “as pessoas vão vivendo sem saber que têm a doença e esse tempo em que estão sujeitas a valores altos de açúcar vai destruindo o seu organismo”.
Para o especialista, “estamos hoje num momento de grande desafio, em que estão a aparecer ensaios clínicos muito importantes, que introduzem fármacos com novos mecanismos de ação, novos fármacos que atuam ao nível do rim, da inflamação, da parede dos vasos, que influenciam o prognóstico das doenças cardiovasculares e que se afiguram protetores do organismo”.
Contudo, afirma, “estamos hoje num momento de grande desafio, em que estão a aparecer ensaios clínicos muito importantes, que introduzem fármacos com novos mecanismos de ação, novos fármacos que atuam ao nível do rim, da inflamação, da parede dos vasos, que influenciam o prognóstico das doenças cardiovasculares e que se afiguram protetores do organismo”.
No âmbito desta temática surge uma problemática a necessitar de uma urgente resolução: o cumprimento terapêutico.
A tudo isto junta-se a importância do cumprimento terapêutico. “É uma pena termos medicamentos que devolvem a esperança de vida, mas que depois o doente não toma”, reforça o cardiologista. “E um dos problemas que faz com que não cumpram tem a ver com compartimentalização dos medicamentos. Ou seja, se é dito ao doente que o medicamento que toma destina-se a reduzir o colesterol e, quando ele vai fazer a análise, os valores já baixaram, então é legítimo que pense que, se teve sucesso - baixou, de facto, o colesterol -, então pode deixar de o tomar. Gostava que os medicamentos fossem todos chamados pelo nome que têm: destinam-se a prolongar a quantidade e a qualidade de vida. Acho, por isso, quase obrigatória uma reclassificação dos medicamentos”.


