Nos próximos dois anos, este financiamento vai permitir à Abtrace desenvolver na incubadora do Instituto Pedro Nunes uma ferramenta para combater a resistência a antibióticos que combina inteligência artificial e big data para transformar as práticas de prescrição de antibióticos.
O Prof. Doutor Hélder Soares, co-fundador da Abtrace e doutorando em Química Médica pela Universidade de Coimbra, explica que, “com o apoio da EIT Health e do Instituto Pedro Nunes, o objetivo da empresa é desenvolver novas ferramentas que diminuam os erros associados à prescrição de antibióticos, um dos fatores mais críticos para a crise da resistência antimicrobiana”.
“Estudando um conjunto alargado de registos clínicos, é possível encontrar novas formas de ajudar os médicos na altura de decidirem que antibiótico prescrever, selecionando o medicamento mais correto para uma infeção específica", acrescenta.
Já o Dr. Jan-Philipp Beck, CEO da EIT Health, realça que a Abtrace “identificou uma séria necessidade na saúde mundial. A resistência a antibióticos é uma grave ameaça que afeta milhões de pessoas”. Por isso, “estamos muito satisfeitos e orgulhosos em apoiar o trabalho desta equipa e ansiosos por ver os resultados das suas ideias e o seu impacto na saúde”.
A resistência a antibióticos é uma das mais graves ameaças à saúde mundial. Segundo a Organização Mundial de Saúde, estima-se que até 2050 mais pessoas venham a morrer por infeções causadas por organismos multirresistentes do que por doenças oncológicas. A principal causa é o uso excessivo de antibióticos.
Todos os antibióticos correm o risco de desenvolver resistência. Contudo, calcula-se que um terço das prescrições são desnecessárias ou inadequadas. A escolha correta de um antibiótico oferece um triplo benefício: melhor tratamento do utente, menos gastos no consumo de antibióticos inadequados e, por fim, a redução da sua resistência ao ser selecionado o medicamento mais apropriado para a resolução do problema.


