Um em cada cinco doentes sofre um novo evento cardíaco no primeiro ano após enfarte

13/02/19
Um em cada cinco doentes sofre um novo evento cardíaco no primeiro ano após enfarte

"Um em cada cinco doentes que sobrevivem ao internamento hospitalar apresenta um novo evento, como a morte cardiovascular, enfarte agudo do miocárdio (EAM) ou um acidente vascular cerebral (AVC) durante o primeiro ano após um EAM e 20% dos doentes sem evidência de complicações cardiovasculares no primeiro ano sofrem um novo evento nos três anos seguintes.” Quem o afirma é a Dr.ª Sílvia Monteiro, cardiologista do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra e coordenadora da área dos Cuidados Intensivos Cardíacos da Sociedade Portuguesa de Cardiologia.

 

A propósito do Dia Nacional do Doente Coronário, que se assinala amanhã, dia 14 de fevereiro, a Dr.ª Sílvia Monteiro alerta para a importância “de uma abordagem estruturada e integrada de prevenção secundária, com uma colaboração estreita entre a Cardiologia e a Medicina Geral e Familiar no acompanhamento do doente pós-EAM que são determinantes para a melhoria do prognóstico destes doentes e para evitar um novo ataque". 

A presença de comorbilidades, como diabetes, doença renal crónica, doença arterial periférica ou doença aterosclerótica em múltiplos territórios vasculares, associada ao mau controlo dos fatores de risco cardiovasculares e a uma terapêutica desadequada ou, não raras vezes, ao abandono precoce da medicação prescrita, potenciam um segundo evento cardíaco. 

A prevenção da repetição dos eventos cardiovasculares está ainda dependente de uma terapêutica adequada, que, segundo a especialista, deverá passar pela utilização de antiagregantes plaquetares que assumem “um papel fundamental no tratamento de fase aguda do enfarte e na prevenção da recorrência de eventos a longo prazo, pelo que é recomendada a manutenção de dupla antiagregação plaquetar durante pelo menos 12 meses após EAM, exceto quando o risco hemorrágico é proibitivo", explica a especialista.

"A descontinuação ou suspensão prematura desta terapêutica constitui um fator de risco importante na recorrência de EAM", acrescenta. 

A especialista afirma ainda que “têm sido investigados novos alvos terapêuticos e novas estratégias de prevenção, incluindo o prolongamento desta terapêutica para além dos 12 meses habitualmente recomendados em doentes de alto risco isquémico”, sendo, por isso, fundamental “a seleção criteriosa e individualizada da terapêutica antiagregante plaquetar e da sua duração, de acordo com o risco isquémico e hemorrágico do doente”. 

Para o sucesso de qualquer terapêutica, é importante que o doente assuma também o seu papel no tratamento pós enfarte e na prevenção de um segundo evento cardíaco. Isto implica respeitar a medicação prescrita e adotar um estilo de vida saudável, que passa pela cessação tabágica, pela adoção de uma dieta equilibrada, prática de atividade física e controlo de fatores de risco, como a diabetes, pressão arterial e níveis de colesterol. 

De acordo com a especialista, é importante ainda gerir a ansiedade do doente face à probabilidade de um novo evento cardíaco. Para tal, “a informação e educação do doente coronário e das respetivas famílias são essenciais para a compreensão do evento agudo e para a gestão das expetativas de vida a longo-prazo.

A comunicação clara dos objetivos terapêuticos, o envolvimento do doente no plano terapêutico e a tomada de consciência de que o futuro depende essencialmente das escolhas feitas pelo próprio doente são fatores decisivos para gerir o medo da recorrência de eventos cardiovasculares e morte após EAM", conclui.

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