De facto, de acordo com o estudo, dinamizado por investigadores deste Centro Hospitalar em parceria com a Escola Superior de Saúde de Leiria do Instituto Politécnico de Leiria e com o ACES Pinhal Litoral, apenas 21,9% dos inquiridos afirmaram ter recorrido em primeiro lugar ao centro de saúde antes de ir ao SUG – e, destes, apenas 34% trouxeram informação clínica.
"Os dados permitem-nos estudar a tendência dos comportamentos dos utentes no acesso às urgências, à semelhança do que fizemos num estudo idêntico no final de 2014. Verificamos que, à data de hoje, apesar da quase totalidade dos utentes ter médico de família atribuído, as diferenças são mínimas, e as melhorias pouco significativas: no final de 2014, 61,8% dos utentes dirigiram-se ao SUG por iniciativa própria e 18,3% foram primeiro ao centro de saúde, mas apenas 34% trouxeram informação clínica", explica a Dr.ª Alexandra Borges, vogal do Conselho de Administração do CHL.
O projeto tem como principal finalidade caraterizar o perfil dos utentes referenciados e triados como pouco urgentes e não urgentes que recorrem ao SUG do HSA, bem como caraterizar o perfil dos chamados utilizadores frequentes (mais de quatro idas à urgência no período de 12 meses) e muito frequentes (mais de cinco idas ao SUG no período de um ano) a Urgência Geral. Identificar os motivos pelos quais estes utentes dão primazia aos serviços de urgência e não aos cuidados de saúde primários, e analisar o grau de conhecimento que um utente pouco ou não urgente tem sobre o funcionamento dos centros de saúde, são outros pontos da investigação.
A Dr.ª Alexandra Borges revela que "temos vindo a realizar um trabalho de parceria com o ACES-Pinhal Litoral para, em conjunto, encaminharmos os doentes agudos para os cuidados adequados, quer sejam os centros de saúde ou hospital, e este estudo serve precisamente para monitorizar o tipo de utente, as suas motivações e as suas queixas e sintomatologia, para percebermos como podemos encaminhá-los".
O estudo revelou que 87,1% dos utentes não urgente e pouco urgentes que se dirigiram em primeiro lugar à urgência consideram que a sua doença justifica a ida à urgência, enquanto 52,6% revelou que “queria ser observado por um especialista”, 51,2% que poderiam, na urgência, “realizar os exames todos no mesmo dia”, e 46,4 adiantaram que “é difícil marcar uma consulta no centro de saúde”.
Dos cerca de 18,3% dos utentes que se dirigiram primeiro aos cuidados de saúde primários, 60% destes fizeram-nos por ser “a forma correta de atuar”, e 51,7% porque “o médico/enfermeiro tem solucionado os meus problemas”. Estes utentes apresentaram maioritariamente como motivos para ir ao SUG: indisposição, dispneia (dificuldade em respirar), problemas oftalmológicos, problemas nos membros e dor abdominal.
Dos 199 utentes inquiridos pertencentes ao ACES-PL, 96,5% têm médico de família, e 85,3% dos utentes inquiridos tem conhecimento da existência da consulta aberta do centro de saúde, sendo que 63% já a utilizou.
A análise revela que 37,8% teve alta para o médico de família/Centro de Saúde, 9,3% teve alta para o domicílio, e 8,5% para a Consulta Externa.


