Para o compreender, foram mostradas imagens de vários cenários a duas faixas etárias que as deveriam classificar como intencional ou acidental: por exemplo, uma imagem de um homem a bater com um bastão na cabeça de outro (intencional) e uma imagem de um carro em marcha-atrás a ir contra uma pessoa (acidental).
Verificou-se que o grupo mais velho apresentava maior dificuldade em fazer esta distinção, o que sugere um défice ao nível do julgamento moral nesta faixa etária. Os resultados obtidos no estudo mostram que os jovens (18-35 anos) e os adultos mais velhos (60-75 anos) têm estratégias diferentes para avaliar cenários de transgressão moral.
Ao nível fisiológico, esta diferença é visível em menos de um segundo. A Dr.ª Rita Pasion e a sua equipa adicionaram uma touca para medir a atividade elétrica do cérebro (eletroencefalografia) no momento da observação dos cenários. A reação é pautada por dois principais picos de atividade cerebral: um primeiro, mais automático e que está correlacionado com a atenção para processar o que estamos a ver, e um segundo que envolve uma atividade cerebral mais complexa e rica, associada à empatia e à capacidade de entendermos a intenção por detrás de um ato.
O grupo mais velho, principal alvo deste estudo, revelou um aumento considerável nos recursos alocados ao pico de atenção (primeiro momento). Este aumento faria prever que o segundo pico (relacionado com a empatia) também fosse maior, mas aconteceu exatamente o contrário: a performance nessa fase foi consideravelmente inferior.
Por comparação, os jovens alocaram menos recursos para atenção e a sua atividade cerebral disparou no pico da empatia. Este comportamento quase oposto parece ser, nos idosos, um mecanismo do cérebro para compensar o declínio na cognição que se verifica com o envelhecimento. No entanto, isto pode torná-los suscetíveis a casos em que seja difícil discernir a intenção da outra pessoa – como é o caso das fraudes.
O caráter pioneiro deste estudo abre, assim, novas portas na ainda recente área das neurociências sociais, surgindo integrado num projeto da Fundação BIAL que pretende estudar a evolução do cérebro com o envelhecimento.
O Prémio ISPA visa distinguir jovens cientistas (com menos de 35 anos e que tenham obtido o último grau há menos de cinco anos) cujos trabalhos de investigação tenham sidos realizados numa instituição de I&D nacional e publicados em revistas internacionais nos últimos três anos.
Além dos percursos profissionais dos candidatos, são valorizados a originalidade e a fundamentação científica do trabalho apresentado, bem como o impacto da contribuição científica para a área disciplinar em que se insere.


