"Nos últimos três anos, investigámos o impacto do valor da progesterona medido no sangue no dia da transferência de embriões nas taxas de gestação em ciclos de preparação artificial do endométrio. Até agora, e com base em estudos anteriores realizados por outros grupos, pensava-se que esta medição não era útil por não conseguir refletir a ação que a progesterona estava a exercer ao nível local do útero; e que, por outro lado, a dose de progesterona administrada era mais do que suficiente para suprir as necessidades de qualquer doente", explica a Prof.ª Doutora Elena Labarta.
"No entanto, os nossos resultados mostraram que os níveis sanguíneos de progesterona estão de facto associados ao sucesso da gestação. Realizámos os dois primeiros estudos prospetivos relativos a este aspeto, que incluem juntos quase um total de 1400 doentes, e podemos afirmar que existe um valor de progesterona abaixo do qual as taxas de gravidez evolutiva podem cair para até 20%, o que é uma diminuição drástica nas taxas de sucesso nos tratamentos reprodutivos", acrescenta.
Segundo os dados mais recentes analisados e apresentados neste congresso, foi possível encontrar o ponto de corte do nível de progesterona abaixo do qual os resultados pioram significativamente. Assim, as mulheres com níveis de progesterona sérica inferiores a 8,8 ng /ml no dia da transferência de embriões apresentaram uma taxa de gravidez evolutiva 18% menor.
Estes resultados sugerem que a absorção da progesterona vaginal pode variar entre as mulheres, influenciando este marcador os resultados alcançados.
Este estudo, com uma amostra de quase 1200 doentes, despertou grande interesse entre a comunidade científica e foi apresentado em diferentes fóruns e congressos em todo o mundo pelo impacto previsto no futuro da medicina reprodutiva.
Já em 2017, o grupo de pesquisa liderado pela a Prof.ª Doutora Elena Labarta publicou o primeiro estudo prospetivo e demonstrou de forma pioneira que existe um limiar de níveis de progesterona sérica no dia da transferência de embriões abaixo do qual a gravidez em curso diminui significativamente.
"Estas descobertas despertaram o máximo interesse e estamos a realizar várias linhas de investigação. Por um lado, vimos que o nível de progesterona prediz o resultado não só se for medido no dia da transferência do embrião, mas também durante toda a fase lútea (desde o dia em que se implanta o embrião até o dia em que se faz o teste de gravidez). Por outro, estamos a descobrir uma forma de resgatar os casos que apresentam um valor subótimo de progesterona e os resultados são muito encorajadores, porque constatámos que a situação pode ser revertida se for detetada a tempo. É uma descoberta importante que continua a ajudar-nos na nossa procura incessante pelos melhores resultados reprodutivos ", acrescenta.
Além da Prof.ª Doutora Elena Labarta, convidada pelo comité da ESHRE para fazer uma comunicação sobre este tema, o Prof. Doutor Ernesto Bosch, diretor médico do IVI Valência, e o Prof. Doutor Nicolás Garrido, diretor da Fundação IVI, foram chamados para apresentar os respetivos trabalhos como sessões convidadas devido ao interesse científico dos mesmos.
O Prof. Doutor Ernesto Bosch expõe as principais linhas de desenvolvimento sobre a gestão de resposta elevada de acordo com as guidelines da ESHRE, nas quais participou, sendo o único espanhol integrante da equipa que definiu nos últimos dois anos estes padrões de estimulação ovariana.
Por sua vez, o Prof. Doutor Nicolás Garrido fala sobre as técnicas e critérios de seleção de espermatozoides como um dos pontos fundamentais para o sucesso reprodutivo, com enfoque especial na seleção inteligente, baseada em traços moleculares como mecanismo de melhoria nestes protocolos de seleção. Esse procedimento substituiria o atual, que é realizado de forma autónoma pelos espermatozoides ou subjetiva, por uma prática orientada ou objetiva que melhore finalmente os resultados clínicos mediante a eleição e uso do espermatozoide mais adequado entre milhões.
A quarta sessão convidada, em cuja pesquisa o Prof. Doutor Roberto Matorras, do IVI Bilbau, participou, aborda as recomendações da boa prática clínica da ESHRE para a punção folicular, através de uma análise baseada em evidências, bem como na busca de consenso nas opiniões dos especialistas nas áreas onde não havia bibliografia.


