No ano passado, consumiram-se 3,685 milhões de embalagens destes fármacos mais fortes para o alívio da dor, quando em 2010 tinham sido dispensadas 1,532 milhões de embalagens, segundo dados da Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde (Infarmed).
Não são adiantadas as razões que justificam este aumento sustentado e que ascendeu a 141% em oito anos, um fenómeno que o Infarmed está a investigar em conjunto com a Direção-Geral da Saúde, segundo adiantou uma fonte da autoridade do medicamento.
A preocupação com estes fármacos obtidos a partir do ópio e que actuam no sistema nervoso diminuindo a dor não é de agora. No início de 2017, o então presidente do Infarmed, o Prof. Doutor Henrique Luz Rodrigues, alertou para o imparável aumento do consumo destes fármacos que podem causar dependência.
O especialista considerou que este crescimento era “preocupante na medida em que temos de aprender com os erros dos outros”, aludindo à epidemia de overdoses associadas a estes medicamentos nos EUA, que têm causado milhares de mortes todos os anos.
Nessa altura, o Infarmed anunciou que ia avaliar o aumento do consumo em Portugal e tentar perceber o que mudara na prescrição destes medicamentos que, fora dos hospitais públicos, apenas são vendidos com receita médica.
Em 2017, a Prof.ª Doutora Ana Bernardo, vice-presidente da Associação Portuguesa de Cuidados Paliativos, dizia acreditar que a situação portuguesa estará longe de qualquer epidemia. “Tínhamos um atraso na utilização destes medicamentos no controlo da dor e havia registo de doentes que andavam 30 anos com dores antes de iniciarem tratamentos”, explicou.
Fonte: Público


