Numa análise de parâmetros globais de rendimento, está a aumentar a evidência de que taxas mais altas de eventos cardiovasculares e de barreiras no acesso à saúde estão relacionadas com determinantes socioeconómicos da saúde, incluindo a educação e a sensibilização na área da saúde. No entanto, existem outros fatores que também podem contribuir para a desigualdade da saúde do coração, nomeadamente a poluição do ar (responsável por 25% das mortes cardiovasculares, com risco aumentado para as pessoas que vivem nas cidades; a carência de uma dieta saudável; o hábito de fumar, a falta de espaços ao ar livre e antecedentes genéticos.
A Prof. Doutora Karen Sliwa, presidente da WHF, refere que no seu país natal, África do Sul, “apenas alguns grupos populacionais têm acesso facilitado à educação e a cuidados de saúde de excelência, enquanto a maioria permanece com baixa escolaridade e vive em condições de pobreza absoluta ou relativa. Independentemente da sua origem, os determinantes socioeconómicos da saúde e da pobreza têm efeitos profundos nos padrões da DCV e na sua prevenção, agravados pelo diagnóstico tardio e acesso limitado às várias formas de gestão da doença”.
O Dia Mundial do Coração desempenha, assim, “um papel importante na estratégia da WHF no que refere ao aumento da consciencialização e na propagação da mensagem sobre o quão importante é a adoção de estilos de vida saudáveis para o coração”.
A campanha do Dia Mundial do Coração deste ano debruçou-se sobre a criação de uma comunidade global “de heróis do coração”, ou seja, pessoas que se empenharam em melhorar a saúde cardíaca e em reduzir as doenças cardiovasculares, dos respetivos doentes, ou que estão a agir para viverem vidas mais longas e melhores ao fazer, e cumprir, uma promessa da adoção de hábitos de vida saudáveis.
A Fundação Portuguesa de Cardiologia nomeou para Herói do Coração, o Prof. Doutor Polybio Serra e Silva, professor catedrático jubilado da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra e presidente do Conselho Científico e da Delegação Centro da Fundação Portuguesa de Cardiologia. “A minha promessa, aos 91 anos, é manter-me saudável para continuar a fazer prevenção cardiovascular utilizando a poesia e a prosa como instrumentos privilegiados”, refere.
O vídeo do Dia Mundial do Coração pode ser encontrado aqui.


