Destes agregados – maioritariamente constituídos por dois elementos –, 77 por cento revela que canaliza até 100 euros para saúde e 60 por cento despende um valor que oscila entre os 50 e os 199 euros/mês apenas em medicação.
Estes números ganham particular expressão tendo em conta que quase metade dos respondentes refere que o nível do rendimento total do agregado, maioritariamente proveniente da reforma, é inferior ao salário mínimo, ou seja, a 484 euros.
No inquérito – cuja faixa etária mais representada é a dos 60 aos 69 anos –, 50 por cento dos inquiridos admite que vive numa situação económica razoável. É também essa a qualificação (razoável) que atribuem ao seu estado de saúde. Em situações de doença, a escolha de grande parte dos utentes recai na procura de cuidados de saúde primários/comunitários, por exemplo o centro de saúde. Relativamente às principais escolhas para melhorar a saúde, a alimentação saudável e a prática de exercício físico são os aspetos salientados.
Perfil do utente: não fumador e com IMC de pré-obesidade
O estudo permite, ainda, traçar o perfil do utente desta freguesia do Porto. 84 por cento não fuma e 58 por cento não ingere bebidas alcoólicas, sendo que, dos que consumem, a maioria o faz às refeições. Relativamente ao Índice de Massa Corporal (IMC), apesar de 38 por cento dos respondentes se encontrarem com peso normal, 40 por cento está já numa situação de pré-obesidade. A maioria dos respondentes indica, ainda, que faz três refeições ao dia e que raramente come fora de casa.
Os resultados do diagnóstico – que revelam números próximos de outros estudos da mesma área – são apenas mais um alerta para as necessidades de saúde de uma população cada vez mais envelhecida e dependente. As conclusões mostram que a pobreza potencia a vulnerabilidade, causada quer pela idade avançada quer pelas doenças progressivas, e que é necessário um trabalho concertado de todas as instituições de saúde e sociais e da comunidade em geral para que a situação não se agudize.
O Instituto de Ciências da Saúde (ISC) da Católica Porto acaba de efetuar um diagnóstico de saúde em Campanhã, freguesia do concelho do Porto. O estudo – que contou com um total de 520 respostas, recolhidas presencialmente – revela que a maioria dos agregados familiares desta zona da cidade utiliza quase metade do orçamento mensal em saúde, nomeadamente em consultas, tratamentos ou medicamentos.

