Após a reunião com o ministro da Administração Interna, o Dr. Eduardo Cabrita, a ministra da Saúde, a Prof. Doutora Marta Temido, anunciou que o novo órgão ficará à dependência do Ministério da Saúde “à semelhança do que é o gabinete de segurança escolar que já existe na dependência do Ministério da Educação”, explicou. O gabinete “terá uma função de apoio técnico” no combate à violência contra os profissionais de saúde, mediante o estabelecimento de “uma unidade que garanta que a preocupação é constante em todo o ciclo de gestão de toda a organização do sistema de saúde”, acrescentou.
A responsável adiantou ainda que o gabinete atuará “nos aspetos preventivos e de acompanhamento de incidentes e de identificação de risco nas instalações e de formação dos profissionais, para se encontrarem alternativas de diálogo em situações que se possam vir a revelar de violência e registo de situações de violência”, contando com a colaboração do Ministério da Administração Interna, que fará uma “avaliação rigorosa de situações de risco”.
O Dr. Eduardo Cabrita declarou que é necessário um melhor diálogo entre as forças de segurança e os profissionais de saúde, anunciando a elaboração de um novo perfil de risco e o estabelecimento de “um oficial das forças de segurança junto do gabinete da ministra da Saúde, que irá coordenar a avaliação das áreas de maior risco identificadas pelas forças de segurança”.
Médicos criam petição para criminalização da violência
Um grupo de profissionais de saúde associado à Lista A, candidata à secção regional do Sul da Ordem dos Médicos, lançou uma petição para a promulgação de uma lei que criminalize a agressão a profissionais de saúde. Publicada no dia 6 de janeiro, a petição contava com 2,943 assinaturas à data desta notícia.
Os responsáveis relembram que “os médicos e outros profissionais de saúde estão sujeitos em riscos profissionais pela exposição a agentes infeciosos potencialmente letais, pela realização de atos que podem pôr em risco a sua integridade física e psicológica e pelo desgaste psicológico e físico da profissão. A agressão não é e nem pode ser considerada um risco profissional, até pelas características da relação médico-doente”, apelando a uma maior proteção através de medidas punitivas.
Entre os signatários encontram-se o Dr. Jaime Teixeira Mendes, antigo presidente da secção Sul da Ordem dos Médicos, a Prof. Doutora Teresinha Simões, chefe de equipa na Maternidade Alfredo da Costa, o Dr. Gonçalo Cordeiro Ferreira, diretor de serviço no Hospital Dona Estefânia e a Dr.ª Nídia Zózimo, chefe de equipa nas urgências do Hospital de Santa Maria e membro da Sindicato dos Médicos do Sul.
Também o bastonário dos médicos, o Dr. Miguel Guimarães, já tinha feito um pedido semelhante nesta terça-feira, acusando o Ministério da Saúde pela falta de apoio aos profissionais de saúde alegadamente vítimas de agressão.


