A Organização Mundial de Saúde (OMS) acabou por responder afirmativamente à questão utilizada como título. Promovida pela Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa (FMUL), a conferência aconteceu pouco antes de o coronavírus ser declarado pandemia.
A Prof.ª Doutora Emília Valadas começou por introduzir o assunto, falando de outras pandemias e referindo que o coronavírus ainda ocupa uma “posição baixa em termos de mortalidade” comparativamente com a gripe espanhola, a varíola ou a infeção por VIH/SIDA.
“A maior parte das pessoas com infeções causadas pelo coronavírus têm infeção ligeira (80,9%), 13,8% têm uma infeção severa e 4,7% crítica”, apontou a docente. Porém, é uma infeção que vai evoluindo e os casos ligeiros podem transformar-se em graves e/ou muito graves. A rapidez com que a pandemia evolui é, aliás, uma das preocupações dos médicos.
Os sintomas – febre, tosse seca, dor de cabeça, etc. – foram igualmente mencionados pela professora. “São sintomas habituais de uma síndrome gripal. Vamos ter outros doentes que vêm ao hospital e não estão infetados.”
Quanto à história natural da doença, 10 a 15% evoluem para situações graves e 15 a 20% evolui para o estado crítico.
“O intervalo de tempo que medeia desde a exposição até aos sintomas é de mais ou mais uma semana. Dos sintomas até à recuperação pode ser de duas a quatro semanas, conforme o caso seja ligeiro ou mais grave”, mencionou a infeciologista, frisando que as crianças ou não têm a doença ou têm muito ligeira.
“À medida que se vai crescendo na idade, a mortalidade também vai aumentando. Tudo começa a correr menos bem a partir dos 60 anos.”
O mau prognóstico acentua “se existirem doenças como a diabetes, doenças respiratórias, hipertensão, doença cardiovascular ou cancro”, disse a Prof.ª Doutora Emília Valadas, frisando que não existe ainda evidência em relação ao VIH/SIDA. A docente recuou à história como a propagação decorreu, com epicentro em Wuhan, China. Foi referida a constante evolução, o número de casos atualizados diariamente e as medidas preventivas, que incluem a alteração nas rotinas, deste vírus, que à data já tinha infetado mais de 100 mil pessoas em todo o mundo.
O Prof. Doutor Thomas Hanscheid sublinhou a importância das medidas de contenção e deu informações científicas sobre o próprio vírus. “Há doenças em que são produzidos anticorpos. A infeção causada pelo coronavírus não cria imunidade, daí que seja complicado encontrar uma vacina”, disse o docente da FMUL.
O professor focou a necessidade urgente de haver testes serológicos por ser “a única maneira de fazer estudos. Os testes estão a ser desenvolvidos”. Também frisou a “perigosa associação” do coronavírus com a hipertensão.
Depois das intervenções dos oradores, os participantes foram convidados a participar, colocar questões ou comentar o tema abordado. A conferência resultou assim num espaço de comunicação que foi ao encontro de uma das recomendações da Direção-Geral da Saúde e da OMS, a restrição social.


