“As restrições nas fronteiras representam um fardo desnecessário e perigoso para os sistemas de cuidados intensivos que já estão a enfrentar desafios sem precedentes. Os esforços incansáveis dos nossos médicos e intensivistas da área respiratória deixarão de ser eficazes se não puderem confiar nos princípios do mercado interno, na solidariedade entre os estados-membros e na cadeia transfronteiriça de suprimentos médicos essenciais”, refere o Prof. Doutor Thierry Troosters, presidente da ERS.
O apelo surge na sequência de relatórios que verificaram que as exportações de dispositivos médicos, incluindo máscaras e outros equipamentos de proteção individual, respiradores, ventiladores, kits de teste e consumíveis, estavam a ser interrompidas devido às proibições de exportação dentro da União Europeia (UE), sendo aplicadas por vários estados-membros.
Além disso, alguns estados-membros introduziram controlos ou impediram a passagem de camiões nas suas fronteiras, colocando em risco o fluxo livre de suprimentos e medicamentos essenciais. Segundo a ERS, estas ações violam “não apenas os princípios do mercado interno, mas também colocam em risco a população europeia, atrasam a batalha efetiva contra o vírus SARS-CoV-2 e, principalmente, impõem uma pressão desnecessária aos profissionais de saúde”.
O Prof. Doutor Thierry Troosters alerta: “O impacto da proibição das exportações vai ser sentido pelos sistemas de saúde de todo o mundo, uma vez que as cadeias de suprimentos globais estão interligadas. Isto vai colocar desnecessariamente inúmeras vidas em risco. As instituições da UE e os governos devem agir rapidamente, apoiando o comércio livre e transporte de mercadorias, para permitir a livre circulação de suprimentos médicos em todas as regiões”.
Nesse sentido, a organização apela a que todos os estados-membros atuem de acordo com o interesse da saúde pública europeia, “respeitando sempre os princípios do mercado interno, em particular para os suprimentos que salvam vidas em outros estados-membros em todas as linhas de assistência à saúde”, conclui.


