Conhecer o vírus e as suas possíveis mutações é determinante para definir estratégias de contenção, tratamento e prevenção. Segundo o Dr. Ricardo Leite, coordenador da unidade de Genómica do IGC “temos o know-how da tecnologia Nanopore, mais célere que a tecnologia de sequenciação Illumina, tipicamente usada, e que nos dá flexibilidade para estudar o genoma do vírus SARS-CoV-2”. A sequenciação fornece informação sobre as possíveis cadeias de transmissão o que “nos permite fazer o tracking da cadeia de propagação do vírus” reforça o investigador.
Os dados obtidos são depositados em plataformas de acesso aberto o que permite a toda a comunidade científica partilhar esta informação. A taxa estimada a que o vírus adquire mutações é atualmente de cerca 26 mutações por ano. A Dr.ª Isabel Gordo, investigadora principal do IGC explica que “até à data, não há nenhuma indicação de que os genomas dos vírus em Portugal sigam um padrão diferente do observado no resto do mundo. Aliás a acumulação de mutações no tempo é o esperado numa situação em que um novo vírus se espalha numa população de hospedeiros suscetíveis”.
Com a pandemia decretada, o IGC rapidamente redirecionou as suas áreas de investigação e otimizou as plataformas tecnológicas de última geração que detém para fazer parte da resposta ao novo vírus. A Dr.ª Mónica Bettencourt Dias, diretora do IGC, considera que é na ciência que vamos encontrar a resposta e por isso “os investigadores vão estar a estudar todas as mutações dos vírus que estão a circular, só assim podemos atuar caso algo de suspeito aconteça no seu genoma”. As equipas do IGC mobilizadas para combater a COVID-19 “mover-se-ão em carga para o travar com toda a ciência que têm”.


