Combate à pandemia: Ordem dos Médicos afirma que os profissionais deixaram de ser ouvidos

30/06/20
Combate à pandemia: Ordem dos Médicos afirma que os profissionais deixaram de ser ouvidos

Os números preocupantes de novos casos de infeção por SARS-CoV-2 a que assistimos nas últimas semanas, sobretudo na Grande Lisboa, mas não só, resultam da incapacidade de antecipação que a autoridade nacional de saúde tem revelado nesta fase de desconfinamento. Para o bastonário da Ordem dos Médicos, Dr, Miguel Guimarães, “é urgente antecipar e não correr atrás do prejuízo, o que implica ter a humildade de ouvir os profissionais de saúde agora, como foi feito no início”.

“É verdade que muito do plano de combate à pandemia e das medidas que foram sendo tomadas acabaram por seguir os apelos da sociedade civil. Nessa altura os profissionais foram ouvidos, nomeadamente especialistas que estão no terreno e integram o gabinete de crise da Ordem dos Médicos. Agora, numa fase tão delicada como o desconfinamento, houve um excesso de otimismo e uma incapacidade de antecipar as medidas preventivas necessárias em função da evolução da pandemia”, afirma o Dr. Miguel Guimarães.

“Os especialistas, sobretudo aqueles que estão no terreno, deviam ter sido ouvidos mais cedo naquilo que eram recomendações importantes, por exemplo sobre as viagens aéreas, os aeroportos, os transportes, os ajuntamentos… A comunicação também devia ser mais clara e centrada nos aspetos técnicos e científicos, deixando as considerações políticas para os políticos”, reforça o bastonário, defendendo que os “portugueses souberam reconhecer numa sondagem que os profissionais de saúde foram os que estiveram melhor no combate à pandemia e que era importante o poder político acompanhar este apelo”.

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