Intitulado “Environmental monitoring of SARS-CoV-2 in a hemodialysis unit: a quest for preventing transmission in healthcare facilities”, este projeto, além de identificar os pontos em que o risco de presença de vírus é maior e determinar a melhor metodologia para o monitorizar, visa ainda avaliar a eficácia de dois equipamentos de purificação de ar no que respeita ao SARS-CoV-2, em que um utiliza radiação ultravioleta e outro filtros High Efficiency Particulate Air. Assim, é possível perceber o grau de contaminação do ar e avaliar especificamente a eficácia destes aparelhos para garantir que o ar não contém vírus.
“O nosso ponto de partida é a investigação da contaminação no interior de uma unidade de saúde com doentes COVID-19. A transmissão entre pessoas pensa-se que ocorra, sobretudo, por contacto e através da via aérea. A transmissão por contacto pode dar-se por transmissão direta entre pessoas ou por contactos com superfícies. A transmissão aérea pode ser por gotículas ou por aerossóis em determinadas circunstâncias”, explica o Dr. Gil Correia, investigador principal do projeto.
O investigador salienta ainda que “os equipamentos de proteção individual são fundamentais para impedir a transmissão do vírus, mas também é fundamental garantir a segurança dos espaços e reduzir a probabilidade de transmissão para todas as pessoas que os frequentam, utentes e profissionais”.
Nesta investigação, a equipa vai efetuar múltiplas colheitas em várias superfícies, de forma a quantificar a presença do vírus. Quanto ao ar, serão colheitas também para “determinar o grau de contaminação do ar interior pelo vírus, bem como nos filtros do sistema de ventilação, para assegurar o seu correto funcionamento e garantir que não existe emissão de vírus por esta via”, esclarece o Dr. Gil Correia.
“Todas as colheitas serão feitas em duplicado, antes e após o processo de higienização do espaço. Desta forma, pretendemos confirmar a eficácia dos processos de limpeza e desinfeção”, acrescenta o investigador da FMUC.
Nesta primeira fase, o trabalho vai incidir numa unidade de hemodiálise, pelas características dos doentes, que apresentam concomitantemente muitas doenças e são, portanto, uma população com risco acrescido para a COVID-19. Por outro lado, destacam-se particularidades destas unidades, que são habitualmente locais de excelência na aplicação de processos de controlo de infeção, tendo ciclos bem definidos de entrada e saída de doentes e um programa de limpeza e desinfeção bem estabelecido, o que ajudará a estabelecer indicadores para outras unidades de saúde.
Até ao final deste ano, os investigadores esperam ter concluído um protótipo de programa, para que possa ser testado em diferentes unidades de saúde do SNS.
Este projeto, que obteve 40 mil euros de financiamento da Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) no âmbito da iniciativa “Research4Covid - Projetos de implementação rápida para soluções inovadoras”, está a ser desenvolvido em conjunto por duas faculdades da UC – Faculdade de Ciências e Tecnologia (FCTUC) e Faculdade de Medicina (FMUC) – e ainda pelo Serviço de Nefrologia do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC).


