Projeto de investigação dedicado à compreensão das bases genéticas do cancro do estômago

07/10/13

A Coimbra Genomics S.A., uma jovem empresa dedicada ao emergente campo da genómica, acaba de anunciar o lançamento de um projeto de investigação cujo fim é a compreensão das bases genéticas do cancro do estômago. O projeto envolve o IPATIMUP, no Porto, centro de renome mundial na investigação daquela doença, e a organização chinesa BGI (antigo Beijing Genomics Institute), o maior centro de sequenciação genómica do mundo.



O projeto, com um orçamento inicial de mais de 900 mil dólares, será financiado em grande parte pelo BGI, num exemplo raro de cooperação e investimento luso-chinês nesta área. Nuno Arantes e Oliveira, co-fundador e CEO da Coimbra Genomics, salientou que se trata de "um excelente exemplo de confluência de interesses e complementaridade de recursos: a enorme capacidade técnica e financeira do BGI e o incomparável historial científico do IPATIMUP nesta área, a que se junta o ímpeto empreendedor da Coimbra Genomics para tentar resolver um problema de âmbito mundial".


Carla Oliveira, responsável pelo projeto do lado do IPATIMUP lembrou que "esta é uma nova abordagem ao estudo do cancro do estômago, em que vai ser usada estratificação molecular de doentes antes da sequenciação massiva de material genético. Este é mais um passo para explorar a medicina personalizada para aplicação em doentes com cancro do estômago."


"O projecto representa também para o IPATIMUP uma forte aposta na ligação entre a investigação básica e a sua aplicabilidade às empresas com o objectivo de obter tratamentos mais dirigidos e de melhorar a qualidade de vida dos doentes com cancro do estômago", reforçou André Albergaria, responsável pela Unidade de Translação daquele laboratório.


Com cerca de um milhão de novos casos por ano, o cancro gástrico é o segundo tipo de cancro que mais mortes causa em todo o mundo, sendo dificilmente diagnosticado antes de chegar às fases mais avançadas. A sua incidência é particularmente alta em países como a China, o Japão ou a Coreia, mas também na América Latina, na Europa de Leste e em Portugal. Apesar da gravidade do problema, não existem hoje tratamentos verdadeiramente eficazes para esta patologia, sendo as suas bases genéticas ainda mal compreendidas. O projeto pretende abrir novos caminhos no estudo do cancro do estômago, que conduzam a métodos de diagnóstico precoce e a abordagens terapêuticas inovadoras.


"Nestes tempos difíceis para o país, queremos dar um exemplo de cooperação estratégica internacional que nos conduza a um futuro melhor. De facto, a moderna tecnologia da genómica, com uma grande base informática, permitir-nos-á viver mais e melhor", afirmou Gonçalo Quadros, também co-fundador e membro do Conselho de Administração da Coimbra Genomics.

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