Ainda que muitos profissionais de saúde sejam empresários e prestadores de serviços no setor privado (em complementaridade com a sua atividade no setor público), há em Portugal algumas reticência em assumir de forma transparente o facto de que grande parte dos profissionais de saúde desenvolve alguma forma de pequeno negócio privado no sistema de saúde nacional, mas enfrenta grandes dificuldades na sua estratégia empresarial dado o peso no mercado e a crescente discreta influência na orientação da regulamentação na saúde dos grandes grupos privados.
Ainda assim, há alguns aspetos relevantes para o desenvolvimento estratégico que interessa partilhar com os profissionais de saúde em Portugal no que diz respeito a duas dimensões essenciais na elaboração de Business Plans que enquadrem este potencial. Por um lado, algum reconhecimento do perfil da procura e, por outro lado, a constatação de que há que repensar o pacote de produtos e serviços a oferecer pelos profissionais de saúde em Portugal.
No que diz respeito ao perfil de procura e utilização de apps da saúde, a evidência internacional publicada em relatórios técnicos ou artigos científicos (alguns publicados no International Journal of Healthcare Management de que sou fundador e editor-in-chief), permite-nos saber alguns dados essenciais.
Primeiramente que ainda está abaixo dos 20% o número de cidadãos entre os 18 e os 29 anos de idade que têm apps de saúde instaladas nos seus telemóveis (variando entre 10% em alguns países e 20% como valor máximo indentificado) a abaixo de 10% no que diz respeito aos cidadãos do segmento etário seguinte dos 30-49 anos de idade (variando entre os 2% em alguns países e o máximo de 10% em alguns países).
Um segundo indicador diz respeito aos utilizadores de smartphones (não confundir com o total dos utilizadores de telemóveis de outro tipo) e é a constatação que mais de 50% destes tem e utiliza apps de recolha de dados de saúde individual (vejam o primeiro artigo desta série de artigos que produzi para um melhor entendimento das tipologias de apps de que estamos a falar).
A expectativa é de que o total de utilizadores de smartphones que instala e utiliza apps de recolha de dados de saúde individual venha a subir aos 65% nos próximos três anos. Este dado, sendo específico e em larga medida decorrente da instalação automática destas apps pelas empresas que produzem smartphones, cria um hábito comportamental potenciador do crescimento deste canal de desenvolvimento de serviços.
Não esqueçamos, porém, que os restantes cidadãos são a maioria da população global e não utilizam smartphones nem têm apps de saúde instaladas nos seus telemóveis. Ou seja, estamos sempre a pensar em segmentos da população e há que admitir essa orientação, desde o momento em que algum profissional de saúde, ou pequena empresa de serviços de prestação de cuidados de saúde, pensa nesta opção de oferta de serviços.
Havemos de explorar este tema em artigos subsequentes. Relembro os dois artigos anteriores deste série que publicamos neste meio para apoiar o leitor a esclarecer as várias tipologias de apps e a fazer escolhas para a sua clínica ou prática individual.


