Alterações climáticas e o impacto na saúde: “Temos de trabalhar de forma colaborativa, porque a responsabilidade é de todos”

27/06/24
Alterações climáticas e o impacto na saúde: “Temos de trabalhar de forma colaborativa, porque a responsabilidade é de todos”

A Conferência “Saúde: os efeitos das alterações climáticas” reuniu um conjunto de especialistas de diferentes áreas para debater este fenómeno que está a impactar a saúde física e mental humana. Mariana Ribeiro Ferreira, vice-presidente do GRACE em representação da CUF, afirma que é “uma responsabilidade e colaboração corporativa”, sendo os agentes da mudança para o impacto no ambiente e na saúde. A acompanhar, esteve Fernando Leite, vice-presidente do GRACE em representação da Lipor, Rui Dinis, consultor em Energia e Carbono e climate expert manager na Lisboa E-Nova, António Silva Graça, infeciologista do INSA, Ana Isabel Ribeiro, investigadora no ISPUP, Armando Pinto, investigador principal do Departamento de Edifício do LNEC, Sónia Dias, diretora da ENSP-NOVA, e José Melo Bandeira, country manager na Veolia Portugal. A News Farma marcou presença e faz-lhe um wrap up da conferência e partilha alguns instantes fotográficos.

Fernando Leite, responsável pela abertura oficial da conferência, afirmando que Portugal esteve presente no Acordo de Paris, em 2015, com o objetivo de atingir a neutralidade carbónica até 2050, de forma sustentável e justa. Neste sentido, as empresas têm também um papel “importante”, refere, cabendo a “todas as organizações reconhecerem esta situação”, tal como o GRACE já começou a fazer.

Rui Dinis enquadrou as alterações climáticas, enfatizando que Portugal emite 60 milhões de toneladas de CO2. Os resultados do 6.º relatório do Intergovernmental Panel on Climate Change (IPCC) demonstraram que “as emissões globais continuam em alta, mas o ritmo de subida abrandou”, “as emissões crescem em praticamente todas as regiões”, “a zona Ásia-Pacífico representa 44 % das emissões” e “com as atuais medidas implementadas, segundo as projeções, pode assistir-se a um aquecimento entre 2,2 e 3,5ºC.

No entanto, o tema que nos trouxe a esta conferência foi a Saúde, pelo que o consultor em Energia e Carbono e climate expert manager na Lisboa E-Nova também demonstrou que as alterações climáticas podem impactar na propagação de doenças; na escassez de água e alimentos, o que pode significar desnutrição e aumento de doenças; na qualidade do ar, tornando-se mais “pobre”, custando vidas; nas deslocações em massa e migrações, que colocam em risco as pessoas; e por fim na Saúde Mental.

O médico infeciologista António Silva Graça, por sua vez, alerta para que a gravidade das doenças transmissíveis é influenciada diretamente pelo aquecimento, com exceção de 3 % que se relaciona com as doenças transmissíveis pelos vírus respiratórios.

De seguida, enumera o impacto das alterações climáticas na saúde, destacando o golpe de calor, as doenças respiratórias, as alergias, as doenças crónicas, a carência de recursos e subnutrição, as doenças infecciosas e a Saúde Mental.

É neste sentido que o especialista demonstra que as alterações climáticas podem ser um modo de aumentar a transmissibilidade de doenças ou a emergência/reemergência de doenças transmitidas por vetores, importando vírus e estabelecendo espécies autóctones.

A conferência contou ainda com uma mesa-redonda para abordar os principais desafios e oportunidades de Saúde, na qual a moderadora Mariana Ribeiro Ferreira destacou que um estudo da Deloitte demonstra que 13 milhões de empregos nos EUA são vulneráveis às condições climáticas, pelo que a adaptação às alterações climáticas deve ser “uma criadora líquida de emprego”.

Ana Isabel Ribeiro aborda o conceito de eco-ansiedade, que ainda não é considerada um problema clínico, mas já existem números elevados de pessoas afetadas, nomeadamente os jovens. “As empresas têm de tomar conhecimento e acompanhar psicologicamente para desenvolver estratégias para mitigar a eco-ansiedade”, que pode ser canalizada para ações sustentáveis, partilha na mesa-redonda.

Na perspetiva de uma instituição, Sónia Dias destaca a preocupação das entidades organizativas e internacionais como a OMS, partilhando que a Escola Nacional de Saúde Pública da Universidade Nova de Lisboa já está a estudar o risco, políticas e o impacto das alterações climáticas na saúde física e mental dos trabalhadores.

José Melo Bandeira destaca, em jeito de resumo, que é necessário existir “a capacidade de adaptação da humanidade para enfrentar estas adversidades”, pensando sempre positivamente para que seja possível encontrar métodos e estratégias preventivas para mitigar os efeitos já conhecidos.

Mariana Ribeiro Ferreira destaca que o primeiro passo para as empresas é “medir o seu impacto social e ambiental”, algo que a CUF realizou na sua totalidade em 2023, contabilizando que 90 % da pegada ambiental vem da cadeia de fornecimentos.

Neste sentido, apela a que se trabalhe de forma colaborativa, “porque a responsabilidade é de todos”.

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