“Os que recorrem mais ou apenas a serviços de saúde privados continuam a atribuir (em média) melhor pontuação à qualidade dos serviços, mas é entre utilizadores do serviço de saúde público (em contexto de rotina) que a perceção de melhoria mais aumenta. As entrevistas sugerem que a digitalização de alguns processos no SNS (como a app SNS24) está a contribuir para este aumento na satisfação”, pode ler-se no estudo.
Ao comparar os serviços público e privado, verifica-se uma confiança crescente na capacidade de resposta a problemas graves no Sistema Nacional de Saúde (SNS). Contudo, a percepção pública é afetada pela exposição dos problemas do sistema, dificultando uma visão mais positiva. Esta situação varia geograficamente: no Grande Porto, o saldo entre os que percecionam melhorias e os que percebem piora é positivo (3 %), enquanto no Algarve são mais os que notam degradação nos serviços públicos (-25 %). O aumento da imigração é apontado como um dos fatores que afeta o acesso no Algarve.
A contratação de seguros de saúde também aumentou, impulsionada pela perceção de dificuldades no acesso ao SNS. Atualmente, apenas 26 % dos portugueses não subscrevem planos de saúde, uma queda em relação aos 36 % registados em 2021.
Em relação ao acompanhamento médico, 22 % dos utentes consideram que nenhum profissional de saúde os conhece bem. As especialidades com mais lacunas incluem saúde oral e mental, além de áreas como nutrição, medicina do sono, medicina integrativa, medicina do trabalho e geriatria, nas quais é necessário um acompanhamento mais adequado.
A saúde mental continua a ser melhor avaliada do que a saúde física (7,8 versus 7,5, numa escala de 1 a 10). No entanto, existe uma discrepância entre a boa avaliação da saúde mental e o número de pessoas que reconhecem ter tido problemas de saúde mental nos últimos anos (36 %). Portugal continua a ser um dos países com o maior crescimento no consumo de antidepressivos desde 2015, e um em cada três trabalhadores considera que o seu ritmo de trabalho prejudica mais a saúde mental do que a física.
Nas gerações mais jovens, os problemas mentais acentuam-se: entre os 18 e os 24 anos há maior aumento de transtornos mentais. Neste momento, partilha a Médis, 18 % dos jovens, versus 9 % em 2021, indica ser uma pessoa com uma doença mental diagnosticada. “Os jovens não foram preparados para a hipótese de baixos rendimentos e vidas com piores condições materiais que os seus pais”, explica o documento.
As inseguranças financeiras e laborais são fatores prejudiciais à saúde, assim como o excesso de peso. “Praticamente metade (52 %) da amostra tem excesso de peso, mas é a partir dos 55 anos que o problema verdadeiramente se instala, sobretudo entre os homens: 75 % dos homens entre os 55 e os 64 anos tem excesso de peso ou obesidade. O excesso de peso já ultrapassou o tabaco como um dos fatores de risco que mais contribuiu para a perda de anos de vida saudável e a mortalidade.”
A maioria da população portuguesa (64 %, face aos 59 % em 2021) já considera a vida saudável parte da sua identidade, comprometendo-se em melhorar o seu estado de saúde. Atualmente, 48 % já admite fazer exercício físico mais de uma vez por semana, um aumento de 14 %, e quase metade da população reconhece vontade de melhorar a sua saúde. Embora sejam indicadores positivos, apenas 20 % têm um comportamento consistente com essa ambição elevada.


