Observatório Nacional da Diabetes: prevalência da diabetes aumenta em 2015

15/03/17
Observatório Nacional da Diabetes: prevalência da diabetes aumenta em 2015

O número de novos casos diagnosticados em Portugal aumentou em 2015, aproximando-se dos valores registados em 2010 e 2011. A prevalência estimada da diabetes na população portuguesa com idades compreendidas entre os 20 e os 79 anos foi de 13,3%, isto é, mais de 1 milhão de portugueses têm diabetes. Cerca de 44 % desta população desconhece a sua condição. Estas são algumas das conclusões divulgadas hoje na apresentação do relatório anual “Diabetes: Factos e Números” do Observatório Nacional da Diabetes (OND). Em entrevista à News Farma, o Dr. José Manuel Boavida, presidente do Conselho Científico do OND, e o Dr. Rui Duarte, presidente da Sociedade Portuguesa de Diabetologia, comentam os dados hoje conhecidos.

De acordo com os dados divulgados, em 2015 foram detetados cerca de 168 novos casos de diabetes por dia, mais 20 novos casos face a 2014. A estes números juntam-se mais de 2 milhões de pessoas com pré-diabetes, o que significa que 40,7% da população portuguesa entre os 20 e os 79 anos já tem diabetes ou pré-diabetes, valores que correspondem a mais de 3,1 milhões de indivíduos.

“A prevalência da diabetes mellitus (DM) continua a aumentar em Portugal, pelo que é fundamental adotar medidas preventivas que travem a progressão desta doença”, avança o OND em comunicado. O presidente da SPD, Dr. Rui Duarte, sublinha com preocupação a "prevalência enorme da diabetes". em que mais de 10% da população sofre de diabetes e que um terço da população é considerada pré-diabética, ou seja, "correm riscos de complicações cardiovasculares avançadas". O especialista refere os custos elevados que estes números representam para o Estado e para os indivíduos, com percas de anos de vida.

Para o Dr. José Manuel Boavida, esta é "uma verdadeira epidemia", uma "doença silenciosa, mas muitas vezes silenciada".  O objetivo do OND é alertar a sociedade e as forças políticas para esta questão. "O crescimento da prevalência da diabetes não se ataca pelo seu tratamento, mas sim pelas políticas de prevenção", que o Dr. José Manuel Boavida considera serem "o calcanhar de Aquiles" desta área. "Enquanto não houver um verdadeiro programa de prevenção das doenças crónicas, não conseguiremos por fim a esta progressão e aumento de números que todos os anos" surpreendem.

O OND aponta para uma incidência da doença superior no sexo masculino, com 15,9% de homens diagnosticados e não diagnosticados, comparativamente a 10,9% de mulheres diagnosticadas e não diagnosticadas. A diabetes gestacional continua a aumentar significativamente, tanto em número absoluto como em percentagem dos partos no SNS (7,2%). De acordo com o OND, prevalência da diabetes gestacional aumenta com a idade das parturientes, atingindo os 15,9% nas mulheres com mais de 40 anos.

Mortalidade e internamento por diabetes

As conclusões do OND revelam que, em 2015, a diabetes matou 12 pessoas por dia, num total de 4.406 mortes.

No que diz respeito à mortalidade hospitalar, mais de um quarto dos óbitos nos hospitais do Serviço Nacional de Saúde (SNS) foram em pessoas com diabetes.

O relatório confirmou ainda a tendência de aumento acentuado dos internamentos em que a diabetes surge associada a outras doenças (aumentou 82,7% entre 2006 e 2015). Por outro lado, mantem-se a tendência de diminuição dos internamentos tendo como causa principal a diabetes (diminuição de 27,9% entre 2009 e 2015).

Os dias de internamento nos hospitais tendo como causa principal a diabetes registaram uma diminuição de 30 mil dias dias na última década (de 118.551 dias em 2006 para 88.491 dias em 2015).

A população com diabetes seguida nas unidades de cuidados primários do SNS continuou a aumentar, atingindo os 6,8% da população nelas inscrita (6,4% em 2014). Registou-se um decréscimo de 12% no número de consultas de diabetes nos Cuidados Primários (de 2.396.204 consultas em 2014 para 2.109.496 em 2015).

O OND conclui também o número de pessoas com diabetes sujeitas a rastreio da retinopatia diabética aumentou 19% face a 2014. Um número que para os especialistas continua aquém do desejável. A propósito deste tema, o Dr. José Manuel Boavida refere que "o rastreio da retinopatia diabética tem tido algumas dificuldades de implementação no terreno" e está dependente da agilização das Administrações Regionais de Saúde do país. Para o especialista e coordenador científico do OND, este rastreio representa “uma forma mais barata e eficaz” de prevenir a cegueira associada à diabetes.

Pé diabético e amputações com indicadores positivos

O OND revela uma evolução positiva de alguns indicadores, nomeadamente a diminuição dos episódios de pé diabético e do número total de amputações dos membros inferiores, que apresenta o valor mais baixo registado desde o ano 2000. Relativamente ao pé diabético, verificou-se uma melhoria nos registos de observação desta complicação nos cuidados primários, que atingiu os 87,6% nas Unidades de Saúde Familiar (86,3% em 2014). As amputações de membros inferiores continuaram a registar um decréscimo, atingindo o valor mais baixo da década (1.250), sobretudo no que se refere às amputações major que baixaram para 545.

Partilhar

Publicações