De acordo com os dados divulgados, em 2015 foram detetados cerca de 168 novos casos de diabetes por dia, mais 20 novos casos face a 2014. A estes números juntam-se mais de 2 milhões de pessoas com pré-diabetes, o que significa que 40,7% da população portuguesa entre os 20 e os 79 anos já tem diabetes ou pré-diabetes, valores que correspondem a mais de 3,1 milhões de indivíduos.
“A prevalência da diabetes mellitus (DM) continua a aumentar em Portugal, pelo que é fundamental adotar medidas preventivas que travem a progressão desta doença”, avança o OND em comunicado. O presidente da SPD, Dr. Rui Duarte, sublinha com preocupação a "prevalência enorme da diabetes". em que mais de 10% da população sofre de diabetes e que um terço da população é considerada pré-diabética, ou seja, "correm riscos de complicações cardiovasculares avançadas". O especialista refere os custos elevados que estes números representam para o Estado e para os indivíduos, com percas de anos de vida.
Para o Dr. José Manuel Boavida, esta é "uma verdadeira epidemia", uma "doença silenciosa, mas muitas vezes silenciada". O objetivo do OND é alertar a sociedade e as forças políticas para esta questão. "O crescimento da prevalência da diabetes não se ataca pelo seu tratamento, mas sim pelas políticas de prevenção", que o Dr. José Manuel Boavida considera serem "o calcanhar de Aquiles" desta área. "Enquanto não houver um verdadeiro programa de prevenção das doenças crónicas, não conseguiremos por fim a esta progressão e aumento de números que todos os anos" surpreendem.
O OND aponta para uma incidência da doença superior no sexo masculino, com 15,9% de homens diagnosticados e não diagnosticados, comparativamente a 10,9% de mulheres diagnosticadas e não diagnosticadas. A diabetes gestacional continua a aumentar significativamente, tanto em número absoluto como em percentagem dos partos no SNS (7,2%). De acordo com o OND, prevalência da diabetes gestacional aumenta com a idade das parturientes, atingindo os 15,9% nas mulheres com mais de 40 anos.
Mortalidade e internamento por diabetes
As conclusões do OND revelam que, em 2015, a diabetes matou 12 pessoas por dia, num total de 4.406 mortes.
No que diz respeito à mortalidade hospitalar, mais de um quarto dos óbitos nos hospitais do Serviço Nacional de Saúde (SNS) foram em pessoas com diabetes.
O relatório confirmou ainda a tendência de aumento acentuado dos internamentos em que a diabetes surge associada a outras doenças (aumentou 82,7% entre 2006 e 2015). Por outro lado, mantem-se a tendência de diminuição dos internamentos tendo como causa principal a diabetes (diminuição de 27,9% entre 2009 e 2015).
Os dias de internamento nos hospitais tendo como causa principal a diabetes registaram uma diminuição de 30 mil dias dias na última década (de 118.551 dias em 2006 para 88.491 dias em 2015).
A população com diabetes seguida nas unidades de cuidados primários do SNS continuou a aumentar, atingindo os 6,8% da população nelas inscrita (6,4% em 2014). Registou-se um decréscimo de 12% no número de consultas de diabetes nos Cuidados Primários (de 2.396.204 consultas em 2014 para 2.109.496 em 2015).
O OND conclui também o número de pessoas com diabetes sujeitas a rastreio da retinopatia diabética aumentou 19% face a 2014. Um número que para os especialistas continua aquém do desejável. A propósito deste tema, o Dr. José Manuel Boavida refere que "o rastreio da retinopatia diabética tem tido algumas dificuldades de implementação no terreno" e está dependente da agilização das Administrações Regionais de Saúde do país. Para o especialista e coordenador científico do OND, este rastreio representa “uma forma mais barata e eficaz” de prevenir a cegueira associada à diabetes.
Pé diabético e amputações com indicadores positivos
O OND revela uma evolução positiva de alguns indicadores, nomeadamente a diminuição dos episódios de pé diabético e do número total de amputações dos membros inferiores, que apresenta o valor mais baixo registado desde o ano 2000. Relativamente ao pé diabético, verificou-se uma melhoria nos registos de observação desta complicação nos cuidados primários, que atingiu os 87,6% nas Unidades de Saúde Familiar (86,3% em 2014). As amputações de membros inferiores continuaram a registar um decréscimo, atingindo o valor mais baixo da década (1.250), sobretudo no que se refere às amputações major que baixaram para 545.


