“Valor em saúde: o caso VIH/SIDA” apresenta formas de ultrapassar barreiras no percurso do doente seropositivo

23/06/17
“Valor em saúde: o caso VIH/SIDA” apresenta formas de ultrapassar barreiras no percurso do doente seropositivo

O Salão Nobre da Escola Nacional de Saúde Pública da Universidade Nova de Lisboa (ENSP-NOVA) recebeu especialistas, representantes de movimentos associativos e outros interessados na infeção VIH, para a apresentação de resultados do estudo “Valor em Saúde: o caso VIH/SIDA”. Neste evento, que decorreu esta quinta-feira, 22 de junho, foram dados a conhecer os constrangimentos referentes ao mapeamento do percurso do doente com VIH/SIDA em Portugal e apresentadas estratégias para ultrapassar as barreiras identificadas.

No mapeamento do percurso do doente com VIH foram identificados os principais constrangimentos em três fases da cascata de intervenção: deteção, referenciação e retenção. A dita cascata engloba ainda o aconselhamento, o diagnóstico e o início do tratamento. A falta de literacia em saúde, a falta de capacidade financeira, a informação inadequada, a falta da capacidade dos serviços em termos de recursos humanos e qualificação e ainda o desequilíbrio geográfico e financeiro na oferta de cuidados de saúde para o VIH são algumas das barreiras identificadas.

O apoio económico no transporte e alimentação para pessoas com dificuldades financeiras é uma das intervenções apontadas para ajudar a ultrapassar as barreiras no percurso do doente. Outras há como a realização de consultas por telefone ou online e, entre outras, a possibilidade de consultas de seguimentos nos cuidados de saúde primários.

O mapeamento do percurso do doente com VIH foi um de três objetivos do estudo coordenado pelo Prof. Doutor Julian Perelman, especialista em Economia da Saúde na ENSP-NOVA. A identificação e a priorização de estratégias efetivas e custos-efetivos para a resolução dos pontos de estrangulamento no percurso do doente são os dois outros objetivos deste estudo que reuniu uma equipa de investigadores da ENSP e que teve o apoio da Gilead.

“A infeção por VIH é uma doença com outras componentes para além da clínica, tendo também uma dimensão socioeconómica”, frisou o coordenador do estudo e chamou a atenção para os últimos dados disponíveis, que mostram que “Portugal atingiu até agora apenas o primeiro 90, o que evidencia a deficiente capacidade do sistema em dirigir para tratamento e supressão viral os doentes que estão já diagnosticados”.

E, a propósito do objetivo 90-90-90 para o VIH/SIDA a atingir em 2010, lançado pela ONUSIDA, o Dr. António Diniz, especialista em Pneumologia na Unidade de Imunodeficiência do Hospital Pulido Valente do Centro Hospitalar Lisboa Norte, abordou neste evento a outra vertente do estudo, desta feita dedicada ao 4.º 90 na cascata de intervenção, que diz respeito ao bem-estar físico, psíquico e social.

“Esta parte do projeto é muito recente e ainda só decorreu um painel de debate em que fui o moderador”, mencionou o Dr. António Diniz. “Este grupo discutiu e refletiu como se podia posicionar face à introdução do 4.º 90 e foi consensual a respetiva inclusão, de forma a ser aplicado a todos os doentes com VIH e ao longo de toda a cascata de cuidados”, acrescentou.

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